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Vila da Barca: 3/4 das obras seguem no papel

O sonho e o pesadelo acompanham há mais de oito anos a rotina de 600 famílias da antiga Vila da Barca. Um projeto que tinha tudo para ser exemplo de competência de gestão pública e de qualidade de vida para uma comunidade pobre está sob gravíssima susp

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O sonho e o pesadelo acompanham há mais de oito anos a rotina de 600 famílias da antiga Vila da Barca. Um projeto que tinha tudo para ser exemplo de competência de gestão pública e de qualidade de vida para uma comunidade pobre está sob gravíssima suspeita de superfaturamento, incriminando a gestão do prefeito de Belém, Duciomar Costa. A obra começou em 2003, ainda na administração de Edmilson Rodrigues, atravessa dois mandatos de Costa e tem tudo para ser repassada como enorme abacaxi para o sucessor do atual prefeito.

Falta ainda construir 460 moradias para os sem-teto que foram removidos das palafitas onde viviam e que hoje se espremem em quitinetes pagos pela prefeitura, enquanto aguardam o término da obra parada desde 2007. As notícias oficiais que chegam, no entanto, não são nada boas. De acordo com informações do Ministério da Fazenda e Caixa Econômica Federal (CEF), dos R$ 89 milhões de recursos previstos para as 606 moradias, já foram gastos R$ 42 milhões desde 2005, somente na construção de 148 pequenos apartamentos.

Dividindo o dinheiro liberado para a obra e o que efetivamente saiu do papel - menos de um quarto previsto no projeto -, temos o metro quadrado mais caro de Belém em uma das áreas mais pobres da cidade. Ou seja, mais de R$ 283 mil por cada moradia. Um valor caríssimo para a má qualidade do serviço. Os ocupantes das moradias se queixam de infiltrações e rachaduras. Portas e janelas são inadequadas para o clima da região e não há coluna de sustentação nas edificações.

Cada chuva forte e com vento se transforma em tormento para as famílias, que temem desabamento. Em cada moradia há dois quartos, banheiro, cozinha, sala e área de serviço, dispostos em 58 m2. Cada um dos blocos, de dois e três andares, abriga de quatro a seis apartamentos. Por R$ 283 mil em apertados 58 m2, o preço final do metro quadrado de cada apartamento da Vila da Barca ficaria em R$ 4,8 mil entregue pela construtora à prefeitura.

Para se ter uma ideia do absurdo que é a obra de Duciomar, um apartamento de luxo em área nobre de Belém custa em torno de R$ 6 mil para a construtora.

(Diário do Pará)

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