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Indiana fala sobre uma forma diferente de vida

Uma médica indiana que dedica sua vida a levar exercícios e orientações sobre uma forma diferente de vida, que privilegia a meditação, o respeito e a apreciação. Aos 62 anos, Hemlata Sanghi também já foi vítima do ritmo de vida frenético que a modernid

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Uma médica indiana que dedica sua vida a levar exercícios e orientações sobre uma forma diferente de vida, que privilegia a meditação, o respeito e a apreciação. Aos 62 anos, Hemlata Sanghi também já foi vítima do ritmo de vida frenético que a modernidade impõe, mas decidiu desacelerar. Da Ásia para as Américas, ela hoje é diretora das escolas da Brahma Kumaris (entidade não governamental criada em 1937 com o objetivo de promover valores humanos, morais e espirituais) no Caribe.
Quando chegou a Belém, onde proferiu a palestra “Viver uma Vida Livre de Tensão”, na manhã do último domingo, ela não havia dormido ainda. No hotel não havia eletricidade. E o calor da manhã já começava a incomodar a maioria dos hóspedes. Mesmo assim, Hemlata Sanghi manteve o mesmo sorriso e simpatia que prega em suas oratórias e comprovou que é possível, sempre, agir da melhor maneira. Basta escolher a calma.

P: Como podemos definir o que é calma?
R: Calma é não reagir a uma situação. É agir de dentro. Como, por exemplo, num filme. O ator atua de acordo com o seu par e nós devemos fazer o mesmo, agir com os nossos pares. Porque nos dias de hoje nós apenas respondemos, sem analisar. Então, nós devemos pensar no sentimento dos outros e agir de acordo com eles, não apenas reagir impulsivamente. Calma é um estado de graça em todos nós. É uma qualidade que todos temos, que já nasceu conosco. Calma é agir de dentro pra fora e não de fora pra dentro.

P: É mais fácil ser estressado ou calmo?
R: É mais fácil se estressar porque hoje a nossa realidade é diferente. Nós achamos que precisamos ser rápidos, fazer tudo rápido, senão ficaremos para trás. Mas ao mesmo tempo tem essa necessidade de alcançar mais e mais que não deixa você aproveitar a vida. Calma é fazer as coisas sentindo prazer nelas.

P: Você acha que existe preconceito em relação às pessoas calmas, no sentindo de serem consideradas preguiçosas?
R: Algumas pessoas ainda pensam que calma é preguiça, porque existem pessoas que em nome da calma se afastam da sociedade. Eles estão, na verdade, fugindo de problemas, das dificuldades. Algumas pessoas bebem para esquecer, outros assistem filmes, porque durante estes momentos preciosos eles não estão pensando no que os incomoda. Mas dessa maneira eles utilizam a calma de uma forma errada e quem vê de fora acaba considerando a calma uma coisa ruim.

P: Qual seria então a forma correta de usar a calma?
R: Seria dar espaço para nós mesmo. Por exemplo, eu estou sentada aqui não apenas sentada pensando no que tenho para fazer, mas sim olhando o que está ao meu redor. Eu olho as flores e suas belas cores, eu aprecio o ambiente, a pintura, as pessoas entrando e saindo. Então, depois disso, eu estou aqui com outras pessoas, interagindo com elas. Quando nós interagimos um com o outro com felicidade, calma e consentimento então nós estamos aproveitando de verdade a vida. Muitas pessoas estão esquecendo isso e ficando estressadas, entrando em depressão, tendo problemas psicológicos... Muitas coisas estão acontecendo com eles e eles não estão aproveitando a vida. Não estão aproveitando sua existência.

P: E para mudar essa situação? Existe algum comportamento que devemos mudar?
R: A primeira coisa que devemos mudar é a nossa atitude. Muitas ações são voltadas para nossa individualidade. Nós pensamos “eu sou um médico, sou um professor, sou um empresário”, mas eu não sou essas coisas. Elas são as minhas metas. Não podemos tomar os nossos objetivos como nós. Se você quer conhecer a calma, basta conhecer a si mesmo.
P: Você acha que algumas pessoas passam a vida sem descobrir quem são?
R: Não somente algumas, mas muitas. Algumas pessoas sabem o que farão, seus planos... Mas a maioria das pessoas não sabe nem quem é. Eles pensam em detalhes, mas depois se perguntam “quem sou eu? Eu sou apenas esse corpo?” Não, eu não sou apenas esse corpo. Eu sou o espírito que nele habita, sou a alma.

P: Você sustenta então a ideia da existência da alma?
R: Claro. A alma é o poder além do físico, também chamado de metafísica. Agora sabemos que quando a metafísica está atuando através do corpo, o corpo é completamente influenciado por ela. O ato de dirigir, por exemplo. O motorista conduz o carro, que é apenas um instrumento, e não o carro conduz o motorista. Mas nesse momento as pessoas estão muito dependentes dessa condição física. Muito ligadas em aparências, regras e por isso a consciência excessiva do corpo se torna uma falta de consciência geral. Então o que nós propomos para alcançar a paz mundial é criar a consciência certa. Eu sou esta metafísica, sou esta alma, ou este espírito, situado aqui no meio da mente. Eu uso o cérebro como um computador, por meio do qual eu controlo o meu corpo inteiro.

Leia a entrevista completa no Diário do Pará


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