O Movimento de Emaús realizou ontem a sua 40ª coleta anual de produtos usados, doados pela comunidade para ajudar crianças e adolescentes carentes. Um total de 40 empresas - que fornecem principalmente caminhões e alimentação - e 800 voluntários participaram da ação. Foram usados 40 caminhões, que percorreram durante todo o dia os bairros de Val-de-Cans, Marambaia, Souza, Telégrafo, Nazaré, Umarizal, Reduto, Batista Campos, Jurunas, Marco e Sacramenta.
Para voluntários como a estudante de Comunicação Social Marília Barbosa, é o momento de “fazer um pouco pelos outros, de ajudar vários adolescentes que precisam”. E segundo ela, além dos jovens, é um benefício também para as comunidades carentes que têm a oportunidade de comprar móveis e eletrodomésticos baratos. “O que não serve para uns, serve para outros que não têm condições de comprar um novo”.
Alguns colaboradores antigos da coleta, entretanto, acreditam que está na hora de a população entender que “Emaús não é lixeira”, como disse um voluntário que trabalha há mais de 20 anos no projeto e que não quis se identificar. Ele calcula que, atualmente, de tudo o que é arrecadado, 30% acaba sendo descartado como lixo. E chama a atenção da comunidade para que doe produtos que ainda podem ser reaproveitados nas oficinas do movimento, no bairro do Bengui, onde são reciclados aparelhos de TV, computadores, móveis, entre outros objetos, depois vendidos a preços baixos a comunidades carentes.
São os próprios jovens atendidos na República que realizam o trabalho, ao mesmo tempo em que aprendem uma profissão.
O professor João Raimundo, que há 25 anos colabora e já dirigiu a escola do movimento, reclama da pouca participação de voluntários. Segundo ele, a coleta já agregou até dois mil voluntários.
Fundador do Movimento de Emaús, que começou como a República do Pequeno Vendedor, em 1972, o padre Bruno Secchi afirma que hoje “novas realidades e novos desafios” se colocam para o movimento, que atende em torno de 2.500 crianças e jovens e seus familiares nos bairros do Bengui, Jurunas e Umarizal, em Belém, e em municípios do interior.
Segundo Bruno Secchi, a campanha de Emaús é o momento em que se dá mais “visibilidade ao complexo e amplo trabalho” realizado junto aos meninos e meninas em situação de alto risco nas ruas e que envolve o combate à exploração sexual, ao trabalho infantil precoce e à violência. “A campanha é um grito para que a comunidade não baixe a guarda diante de tanta exclusão e violência contra esses garotos.”
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar