A responsabilidade de se fazer a captura de um órgão ou tecido que ajudará a melhorar a vida de uma pessoa vai muito além da necessidade de mantê-lo saudável para o transplante. Além disso, os profissionais que atuam nessa captura ainda têm o compromisso de preservar as características do corpo do doador. Para que isso se concretizasse, o Banco de Olhos do Amazonas desenvolveu a técnica conhecida como “Punção de Alívio”, apresentada ontem em Belém durante o Congresso de Processo de Doação e Transplante da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
Segundo a diretora do Banco de Olhos do Amazonas, Cristina Garrido, geralmente os doadores que possuíam algum problema de coagulação sangravam com muita facilidade após a morte, o que dificultava a captura do órgão. “Por isso, essa técnica veio para resolver esse problema”. A técnica, desenvolvida em 2004, consiste na retirada de uma pequena quantidade de sangue através da veia jugular interna, localizada no pescoço do paciente. “Isso alivia o sangue de retorno da cabeça, facilitando a doação”.
Segundo a médica, a situação do transplante de córnea no Brasil ainda precisa evoluir, principalmente no que diz respeito à conscientização da família do doador. “Falta as equipes terem acesso à família dos pacientes que morrem”, afirma. “Mesmo se 70% das famílias das pessoas que vêm a óbito no Brasil dissessem não à doação de córnea, os 30% restantes já seriam suficiente para acabar com as filas”. (Diário do Pará)
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