plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 27°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Análise do DNA poderá prevenir câncer

Pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA) pode indicar uma forma de prevenir e tratar, previamente, o câncer da tireoide. Esse tipo de tumor se aloja na região anterior do pescoço e pode ser ocasionado por mutações genéticas. Identificar o

twitter Google News

Pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA) pode indicar uma forma de prevenir e tratar, previamente, o câncer da tireoide. Esse tipo de tumor se aloja na região anterior do pescoço e pode ser ocasionado por mutações genéticas. Identificar os genes que estejam associados ao desenvolvimento do câncer da tireoide é o objetivo da investigação realizada pelo médico-cirurgião Alberto Kato, especialista em cabeça e pescoço, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFPA.

O câncer da tireoide mais frequente é o carcinoma papilar, que é também o mais comum entre os tipos de câncer que acometem as glândulas endócrinas do organismo. Alberto Kato investiga a relação deste tipo de câncer com mutações no gene TSHR, responsável pela produção dos hormônios da tireoide. A pesquisa é orientada pelo professor Luiz Carlos Santana da Silva, coordenador do Laboratório de Erros Inatos do Metabolismo (LEIM), o qual pertence ao Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFPA.

A investigação é feita por meio da análise dos genes presentes no sangue de pessoas já diagnosticadas. Para isso, Alberto Kato conta com a colaboração de pacientes por ele atendidos no Hospital Universitário João de Barros Barreto. O sangue coletado é enviado ao LEIM do ICB e analisado com o apoio dos também pós-graduandos Nathalia Lima e Erik Alves. O exame busca encontrar mutações no gene TSHR desses pacientes para que se possa comprovar a relação desse gene com a ocorrência do câncer da tireoide.

A intenção é, que "no futuro, nós possamos informar ao paciente, analisando o seu DNA, se ele vai ou não desenvolver um câncer de tireoide", afirma Alberto Kato. "O próximo passo será iniciar o tratamento antes que o tumor se desenvolva", complementa. Da mesma forma, os familiares poderão descobrir se são propensos a desenvolver a doença.
Sem o tratamento, doença pode atingir outros órgãos

O principal sintoma da doença é a presença de um nódulo ou o aumento de volume na região do pescoço. Quando o câncer se instala e a pessoa não procura cuidados médicos, o tumor invade as estruturas do pescoço e pode evoluir para uma metástase. A tireoide, no organismo, fica unida à traqueia, então, também pode ocorrer falta de ar. A formação de raízes no pescoço pode evidenciar a metástase. Se não houver tratamento, a disseminação do câncer pode atingir o pulmão, os ossos, o fígado e outros órgãos.

O câncer da tireoide atinge principalmente as mulheres. A incidência gira em torno de 10%. Esse tipo de câncer é o mais frequente entre os que acometem as glândulas endócrinas do organismo. Na Amazônia, em um ranking de maior incidência, esse tipo de tumor apareceria em décimo lugar. O tratamento é sempre cirúrgico. Quase 100% dos casos podem ser curados simplesmente com a cirurgia e com um tratamento complementar chamado iodo radioativo, aplicado em, aproximadamente, 40 dias depois da intervenção.

Iodo – "Não é necessário fazer quimioterapia ou radioterapia porque a tireoide é o único órgão do nosso corpo que metaboliza o iodo. Inclusive se houver metástase em outros órgãos, como o pulmão, o tratamento pode ser feito com o iodo radioativo, até mesmo sem necessidade de cirurgia", explica Alberto Kato. Segundo o pesquisador, a tireoide retira o iodo da circulação sanguínea e o elemento, que é radioativo, acaba matando a célula cancerígena. "Então, é um câncer de tratamento mais fácil e com um prognóstico muito melhor que os demais tipos", assegura.

Os hormônios produzidos pela tireoide são basicamente três: a calcitonina, que possui um papel muito importante na homeostase do cálcio; a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), que regulam a taxa do metabolismo e afetam a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo. O câncer da tireoide pode afetar a produção desses hormônios, mas, segundo o médico, o fato de engordar e emagrecer como consequência de distúrbios da tireoide não é considerado sintoma relacionado a esse câncer. "Trata-se de uma outra doença associada à produção de hormônios", explica Alberto Kato.

Quando há excesso de produção, ocorre o hipertireoidismo. O hormônio da tireoide trabalha no metabolismo das células, então, se a célula começa a trabalhar mais rápido, ela consome mais energia e, assim, a pessoa emagrece. Quando há déficit na produção de hormônio, a pessoa tem hipotireoidismo - o organismo fica desacelerado, provocando o aumento de peso, pois as células não consomem energia. Tais doenças são identificadas pelo exame de sangue.
Resultados foram premiados em Congresso de Genética

A pesquisa "Polimorfismo D727E no gene TSHR em pacientes com carcinoma bem diferenciado da tireoide", financiada pelo Instituto Nacional de Genética Médica Populacional (INAGEMP), foi premiada no XXIII Congresso Brasileiro de Genética Médica, realizado em julho de 2011, em Cuiabá, Mato Grosso. O trabalho foi o vencedor entre as 40 melhores apresentações orais do evento, pois se trata de mais uma ferramenta que pode auxiliar a conduta médica no diagnóstico, na prevenção e no tratamento da doença.

O câncer da tireoide não se desenvolve mediante fatores externos. O único fator externo que interfere no desenvolvimento desse tipo de tumor é a radiação. "Observou-se, por exemplo, que, após o acidente nuclear em Chernobyl (1986), houve aumento na incidência de câncer da tireoide na Ucrânia. A mesma coisa ocorreu no Brasil, quando houve, em Goiânia, por volta de 1987, o acidente radiológico envolvendo o elemento Césio-137", recorda Alberto Kato.

De acordo com o pesquisador, como os fatores de causa do câncer da tireoide são basicamente genéticos, não há como prevenir a doença, a não ser tentar não se expor à radiação. "Há pessoas que gostam de fazer radiografias ou tomografias anualmente. Mais de duas tomografias por ano aumentam o risco de mutações em genes e, em consequência, o desenvolvimento do câncer da tireoide", explica.

No entanto a identificação de genes que possam estar associados ao desenvolvimento do câncer da tireoide, foco da pesquisa de Alberto Kato, pode ser uma forma de prevenir a doença. "Hoje, 60% desses genes já estão identificados. Quando a Academia conseguir completar 100% de genes identificados, toda a população poderá investigar o risco de um câncer da tireoide mediante um simples exame sanguíneo", prevê o médico.

A Dissertação está em fase final. "Conseguimos identificar que a mutação presente no gene TSHR pode estar associada com a etiologia do câncer de tireoide. Isso é um fato novo que conseguimos comprovar", diz. Os planos são ampliar o número de pacientes e de genes investigados.(Ascom UFPA)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!