Maria de Nazaré Amaral vende flores em frente da entrada principal do Cemitério de Santa Isabel, em Belém, há 29 anos. A pedido dos clientes, ela teve que adaptar a forma de arrumar os ramos de flores que serão colocados nas sepulturas do cemitério: “Eles pedem para cortar bem curtinho, que é pra ninguém roubar e ir vender de novo”.
Assim como a dela, a rotina de trabalho dos vigilantes de sepulturas teve que ser alterada. Antes, permaneciam no cemitério até o meio da tarde. Hoje, por orientação da própria direção do local, trabalham apenas até as 12h. “Eles ficavam o dia todo aqui e podiam sofrer crimes. Neste horário de 15h é quando acontecem mais, é quando o cemitério fica mais vazio”, informa o diretor-geral do cemitério, Roberto Vilaça. “Conversamos com a associação das pessoas que trabalham fazendo a segurança desses túmulos e combinamos, porque não tínhamos como garantir a segurança deles”, completa.
Ontem, logo no início da tarde, era possível perceber os efeitos da recomendação. Entre as sepulturas do cemitério, não se vê ninguém. Em um ponto distante, a fumaça emitida com a queima de folhas denuncia a presença de algumas pessoas, poucos funcionários responsáveis pela limpeza, que permanecem no local até as 16h30. “Quando dá 15h, isso aqui fica soturno. As pessoas de fora (visitantes) nem entram mais na parte da tarde porque é quando mais acontece roubo”, diz um servente que trabalha no local há seis anos.
Durante o período em que fica responsável pela limpeza das ‘ruas’ internas do cemitério, ele já ouviu muitas histórias de pessoas que foram assaltadas enquanto visitavam os túmulos de parentes. “Já vi muita coisa. Eles roubam celular, dinheiro, tudo o que a pessoa tiver. Pulam o muro e pronto”, afirma, com naturalidade. “Ninguém vê, ninguém sabe quem foi”. Leia mais no Diário do Pará.
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