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Práticas que geram grandes benefícios

O analista de comunicação Hericley Serejo começou a refletir sobre a forma como consome quando se deparou com a rotina diferenciada da empresa em que trabalha atualmente. As canecas levadas por alguns colegas de trabalho e o uso consciente de materiais de

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O analista de comunicação Hericley Serejo começou a refletir sobre a forma como consome quando se deparou com a rotina diferenciada da empresa em que trabalha atualmente. As canecas levadas por alguns colegas de trabalho e o uso consciente de materiais descartáveis por outros foi o que despertou nele a necessidade de mudar alguns hábitos não só na empresa, mas também em casa.

Durante todo o dia, ele utiliza apenas um copo descartável para tomar água. Em casa, durante o preparo das refeições, aprendeu a cozinhar apenas a quantidade suficiente para aquele dia, diminuindo a produção de lixo orgânico. Quando lava a louça e na hora do banho, a água é utilizada de forma equilibrada. “Minha maior preocupação é quando eu vejo água jorrando sem necessidade”.

Os pequenos hábitos adotados por Hericley são o que caracterizam uma forma mais responsável de consumo, prática evidenciada hoje quando é comemorado o Dia do Consumo Consciente. A data, criada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2009, procura chamar a atenção para a forma como as pessoas consomem os mais diversos bens. “Vivemos uma comodidade muito grande e o consumo consciente sugere o despertar, o pensar sobre o relacionamento das pessoas com o que elas consomem”, explica o coordenador da ONG Noolhar, Marcos Wilson.

Segundo ele, apesar dos grandes efeitos positivos gerados pela reflexão da forma de consumo, são pequenas práticas que garantem esses benefícios. “Tudo o que se radicaliza gera um conflito. Criou-se uma ideia de que o plástico é o vilão da humanidade, mas o real vilão é a forma como consumimos esse plástico”, afirma. “Sugerimos pequenas mudanças de atitude inseridas no dia-a-dia de uma forma gradativa. Isso é que pode mudar algo”.

Quando explica as atitudes que contribuem para a prática, Marcos se utiliza de um exemplo conhecido: o uso de sacolas plásticas. “Quando for à farmácia e só vai comprar um remédio, não precisa levar sacola”.

SACOLAS

Segundo informações divulgadas pelo instituto Akatu (ONG que atua na mobilização para o consumo consciente), cada brasileiro descarta 74 sacolas plásticas por ano, o que, somadas, chegam a 14 bilhões de sacolas. Se empilhadas, as sacolas plásticas descartadas em um ano pelos brasileiros formam uma pilha de 700 Km de altura, quase a distância entre as cidades de São Paulo e Florianópolis. “Não dizemos para as pessoas não pegarem sacolas no supermercado, mas que peguem menos sacolas”, orienta Marcos.

Funcionário de um lava jato, Jonas Diniz, afirma se preocupar com o desperdício de água quando está lavando os carros. Apesar de utilizar uma torneira para enxaguar o veículo, ele afirma que passou a economizar após a instalação de uma ‘chave’ na ponta da mangueira. “Aqui é tudo regrado porque depois isso vai fazer falta pra gente”, acredita. “Enquanto ensaboa o carro, a mangueira não fica ligada porque fechamos a chave que fica na ponta”.

A preocupação é com a água que poderia ficar jorrando durante os minutos dispensados para ensaboar um carro é pertinente. De acordo com a Akatu, o ‘pinga-pinga’ de um furo de 2 milímetros em um cano desperdiça, por mês, o equivalente a quase dez caminhões-pipa cheios de água. Nesse sentido, se todos os moradores de Brasil fechassem a torneira ao escovar os dentes, a água economizada em um mês equivaleria a um dia e meio da água que cai pelas Cataratas do Iguaçu. “O que falta é informação porque ninguém em sã consciência vai desperdiçar uma coisa pela qual daqui a alguns anos vai ter que pagar mais”, acredita Hericley.

(Diário do Pará)

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