Aos 15 anos, P. B. conversa abertamente com sua mãe sobre sexo e gravidez. A liberdade que a estudante tem em tirar dúvidas na família foi facilitada, segundo ela, pelo fato de ela ter sido criada apenas pela mãe desde cedo. “Somos só eu e a minha mãe. Sempre foi assim, então sempre conversamos sobre tudo”.
Moradora do bairro de Val-de-Cans, a situação de P. B. é bem diferente da maioria das crianças e adolescentes que enfrentam dificuldade em conversar com os pais sobre sexualidade, ainda assim, ela se disponibilizou a comparecer à palestra que faz parte do projeto “Amando e Educando”, desenvolvido por professores e corpo técnico das Escolas Estaduais Antônio Gomes Moreira Júnior e Ruy Paranatinga Barata, em Val-de-Cans. “Todo mundo tem que saber o que pode acontecer e o que não pode a partir de uma gravidez”, explica a adolescente.
A possibilidade de sanar as dúvidas enfrentadas por crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos foi o que motivou a realização do projeto. Ainda assim, segundo a gestora da 1ª Unidade “Seduc na Escola”, Lucinete Albarado, o ciclo de palestras e atividades ainda tinham outro papel fundamental para a prevenção da gravidez precoce. “Temos que conscientizar sobre o que pode acontecer com esses adolescentes a partir de uma gravidez indesejada”, afirma. “Aqui no bairro é muito comum adolescentes de 12 a 17 anos que já estão grávidas. Fizemos uma pesquisa em 2003 que apontou que de 100 adolescentes aqui do bairro, 60 já faziam sexo”.
Segundo a psicóloga da USE 1, Ivoneide Almeida, essa é a primeira vez que a ação incluiu a participação de adolescentes do sexo masculino na ação de conscientização. Antes dos alunos do ensino fundamental e médio se depararem com as informações, os pais deles é que tiveram que sentar na plateia do auditório da escola Ruy Paranatinga Barata. “Tivemos primeiro uma preparação com os pais, onde eles viram todo o conteúdo que seria repassado para os filhos e, após isso, eles autorizaram os adolescentes a participar”, explicou Lucinete.
A enfermeira da Unidade Municipal do Parque Verde e responsável pela palestra sobre gravidez precoce, Marlyene Gomes, observa que, na maioria das vezes, a falta de diálogo do adolescente com a família é a principal causa da gravidez. “Na maioria dos casos de adolescentes grávidas que atendemos, percebemos que há um preconceito em falar no assunto e uma banalização da situação”. (Diário do Pará)
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