Os cerca de 800 funcionários da Caixa Econômica Federal no Pará retornam ao trabalho hoje, depois de permanecerem por 22 dias em greve. A decisão foi tomada em assembleia realizada às 17h de ontem, no Sindicato dos Bancários do Estado do Pará. Já os funcionários do Banco da Amazônia continuam paralisados. “Não havia como o Pará continuar em greve sozinho no país, não tinha como mudar a proposta”, afirmou a presidente do Sindicato, Rosalina Amorim, referindo-se à proposta apresentada pela Caixa e aprovada pelos funcionários dos demais estados.
A proposta inclui reajuste salarial de 9% (1,5% de aumento real mais a inflação de 7,4% no período), feita para todos os bancos do país pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), aumento de 11,55% do piso, que passa de R$ 1.637 para R$ 1.826 e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 90% do salário, mais uma parcela fixa de R$ 1.400 e outra variável de até R$ 1.800 e PLR social de 4% do lucro líquido.
A exemplo dos demais bancos, os dias parados não serão descontados nos contracheques dos funcionários da Caixa até anteontem, quando o movimento foi encerrado em todo o país, com exceção do Pará, Florianópolis e Porto Alegre. Eles serão compensados com horas extras de trabalho. Já o dia de ontem ainda está sendo negociado.
Já os 1.500 funcionários do Banco da Amazônia permanecem em greve. Eles também realizaram assembleia, ontem, mas decidiram permanecer em greve, que hoje completa 23 dias.
VOLTA
Assim que ficou sabendo do término da greve no Banco do Brasil e bancos privados, decidida anteontem, a técnica de enfermagem Gisele Leal avisou que chegaria mais tarde ao trabalho. A obrigação de pagar uma conta atrasada foi o que lhe levou a esperar na fila que se formava do lado de fora de um banco privado na avenida Almirante Barroso. “Está tudo atrasado. Depois daqui eu ainda vou ter que ir trabalhar e tem essa fila”.
Apesar de o relógio não ainda ter completado 10h da manhã, ontem, em alguns bancos já se formavam filas para o atendimento nos caixas, serviço suspenso com a greve. Cardíaco e operado há poucos dias, Luiz Lenivaldo já aguardava há 15 minutos para entrar na agência. O serviço que queria realizar era simples, mas estava impedido desde o início da greve.
“Eu quero fazer um depósito. No caixa rápido não tinha mais o papel do comprovante por causa da greve. Como eu faço um depósito desse jeito?”, questionava. Já próximo do atendimento, o motorista Luiz Cristóvão preocupava-se com os juros que teria que pagar. A espera pelo fim da greve iniciou assim que a data de pagamento do boleto que tinha em mãos havia vencido. “Eu corri para cá assim que soube que tinha acabado a greve”, disse. “Tive que vir pagar logo para não aumentar ainda mais essa dívida porque os bancos não estão preocupados se a gente vai pagar juros”.
A preocupação com o acúmulo de dívidas também fez com que a socióloga Aline Ampuero mudasse sua rotina. Na saída de uma agência do Banco do Brasil ela reclamava da greve. “Era para isso ter sido resolvido mais cedo. Por causa de uma conta que atrasei aqui, acabei atrasando outras dívidas”.
A preocupação com os juros neste momento é compreendida pela diretora da Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PA), Eliana Uchôa. Segundo ela, o consumidor que atrasou o pagamento das contas no período da greve só será dispensado dos juros se conseguir provar que tentou efetuar o pagamento por outros meios. “O consumidor tem que fazer todo o possível para fazer o pagamento já que tem algumas empresas que disponibilizam outras formas de pagamento. Se o banco oferece formas de se tirar a segunda via de faturas de cartões de crédito, por exemplo, o consumidor teria que ter feito o possível para pagar”.
Ainda assim, ela orienta que as pessoas paguem as contas e os devidos juros o quanto antes. “Orientamos para que a pessoa pague a conta e que depois procure o Procon para pedir orientações. Se a pessoa conseguir comprovar que não teve como fazer esse pagamento, o banco terá que pagar”.
EM CASO DE PREJUÍZOS
O consumidor que se sentir prejudicado em decorrência da greve dos bancários pode procurar por orientações no Procon-PA pelo telefone 3073-2824. A diretoria orienta que o consumidor não deixe de pagar as contas com os devidos juros, mesmo que se sinta prejudicado, porém, após o pagamento, a pessoa deve procurar o atendimento do Procon. (Diário do Pará)
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