Mesmo após a liberação, na tarde de ontem, do laudo preliminar emitido pela equipe contratada pela Porte Engenharia para fazer a vistoria no edifício Wing, que constatou a resistência do material utilizado na obra, o prédio permanecerá interditado e os moradores do local e área do entorno continuarão longe de seus lares. Segundo o tenente-coronel José Augusto Almeida, da Defesa Civil estadual, o laudo foi analisado pelo Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado de Urbanismo do Pará (Seurb) e Centro de Perícias Renato Chaves, e apontou que o pilar rompeu por causa da baixa qualidade do concreto usado na parte superior do mesmo.
“A análise foi superficial e realizada especificamente no pilar de sustentação do anexo do edifício. Mesmo assim foi esclarecedor e vai ajudar a mensurar a gravidade do caso. Não acreditamos em risco de queda, mas precisamos nos precaver. Por isso decidimos liberar a área somente depois da emissão do laudo paralelo e da análise de cálculo que ainda será feita”, destacou Almeida.
O engenheiro Paulo Brígido, responsável pela avaliação, disse que o concreto utilizado pela empresa está dentro dos padrões da construção civil. “Além do pilar danificado, analisamos ainda outras dezenas de pontos do edifício. Porém, nenhum deles apresentou problemas”, disse.
Segundo o promotor de Justiça de Direitos do Consumidor, Marco Aurélio Nascimento, o laudo e a análise de cálculo deverão ser feitos pela equipe de cinco engenheiros que compõem o grupo de análise de estrutura do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). O grupo foi escolhido pelos próprios moradores, durante reunião na tarde de ontem com o Ministério Público Estadual (MPE).
O promotor contou ainda que a proposta de elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), apresentado pelo MPE à Porte Engenharia, foi bem recebida pela empresa. “Eles estão sinalizando para um acordo, vamos produzir o documento e provavelmente amanhã (hoje) já está assinado”, disse o promotor. O termo prevê garantia da hospedagem e alimentação dos moradores retirados até que o edifício seja liberado, e o custeio do laudo independente.
O Corpo de Bombeiros definiu que, por medida de precaução, o prédio e as casas vizinhas permanecem interditados até que o laudo de cálculo esteja disponível. A corporação informou ainda que vai continuar monitorando todas as vistorias e que em breve deverá ter um posicionamento sobre a liberação.
LAUDO
Um novo laudo e análise de cálculo serão feitos por cinco engenheiros que fazem parte do grupo de análise de estrutura do Instituto de Tecnologia da UFPA, escolhido pelos próprios moradores do edifício Wing, construído pela Porte Engenharia.
TAC
Empresa e moradores devem acordar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) intermediado pelo MPE para oficializar o que será feito.
(Diário do Pará)
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