Visibilidade e inclusão foram palavras-chaves dos discursos proferidos na manhã desta sexta-feira (21), no auditório Alberto Seguin Dias, da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), durante o encontro que reuniu cerca de 50 representações indígenas e de instituições que atuam na defesa desses grupos. No foco dos debates, a apresentação de uma pesquisa realizada na Região Metropolitana de Belém, que traz dados socioeconômicos sobre a população indígena que vive nos centros urbanos.
Idealizado pela ONG PlaNet Finance, o projeto conta com o apoio da Sejudh, da Amazon Cred, e de diversas instituições. Na ocasião, um dos representantes da organização, Moisés Reis, esclareceu a metodologia utilizada e apresentou os resultados da pesquisa. No total, 51 indígenas de oito etnias (Munduruku, Galibi, Karipuna, Kayapó, Guajajara, Jurunas, Tembé e Kaxuyana) foram entrevistados. O estudo constatou, por exemplo, que 90% desses indíos mostravam-se interessados em receber capacitações em educação para finanças.
Com a elaboração do diagnóstico, ficou evidente a necessidade de promover a inclusão tanto econômica quanto social da população indígena urbana. O estudo forneceu dados que favorecem a criação de um ambiente de inclusão para pessoas de baixa renda, a partir de uma educação financeira para microempreendedores. “Segundo dados da Funai, 62% da população indígena do Brasil encontra-se em situação de extrema pobreza”, destaca Reis.
Com previsão de duração de dois anos, o projeto visa capacitar indígenas que vivem na Região Metropolitana de Belém. Os módulos de capacitação incluem educação financeira e desenvolvimento de negócios. “Nós temos um público que precisa de cuidados. Foi isso que atraiu o projeto” afirma Reis. “Firmamos parcerias com a Sejudh e, além deste espaço, o órgão estadual disponibilizou profissionais capacitados, que podem contribuir bastante para o nosso projeto. Vamos iniciar a elaboração dos módulos de capacitação e depois partiremos para a formação, propriamente dita, dos grupos que integrarão cada um deles”, explica Reis, citando a importância da multidisciplinaridade.
Segundo a coordenadora estadual de Proteção dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais, Maria José Reis, o projeto é uma importante ferramenta de repasse de conhecimentos para inclusão dos indígenas da área urbana. “De acordo com o diagnóstico apresentado, 12% dos indígenas já desenvolvem algum tipo de empreendimento. Além disso, a maioria possui interesse em conhecer e participar do projeto, e também busca ser orientada sobre como administrar os próprios negócios e, assim, garantir melhores condições de vida”, destaca. (Agência Pará)
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