“Nossa missão é tentar descobrir as várias Amazônias contidas dentro da Amazônia”. A frase é do físico gaúcho Rodrigo da Silva, coordenador do Programa LBA (da antiga sigla em inglês, “Large Scale Biosphere-Atmosphere”) ou “Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia” e tenta resumir o que pretendem os pesquisadores na 2ª fase de implementação do programa (iniciada em 2008) que busca a integração dos diversos projetos sobre a mesma base, existentes na Amazônia, dentro do que chamam de LBA2.
Desde sua instalação na cidade de Santarém (oeste do Pará), há 13 anos, o LBA teve inicialmente como uma de suas bases de estudo a Floresta Nacional do Tapajós, encravada numa área de 545 mil hectares entre os municípios de Santarém, Belterra e Aveiro, ao longo do rio Tapajós. Lá, foram desenvolvidas pesquisas sobre mudanças climáticas, através de experimentos com a secagem de grandes áreas da floresta, para entender como se comporta o bioma, utilizando torres de observação (foto). Hoje, as diversas pesquisas coordenadas pelo INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ao qual o LBA ainda é ligado, se espalham por várias regiões da Amazônia.
O LBA é considerado uma das maiores experiências científicas do mundo na área ambiental, com mais de 150 projetos de pesquisa desenvolvidos por 281 instituições nacionais e estrangeiras, em solo amazônico. Antes de ser um programa de governo o LBA era apenas um projeto de cooperação internacional do INPA, tendo sido instalado em 1998, na cidade Santarém. Em 2007, foi assumido como um dos programas do Ministério da Ciência e Tecnologia, e mantido dentro da estrutura do INPA.
“Nesses tempos em que nosso país é destaque mundial e a região amazônica é cobiçada por muitos, as soluções para os problemas da Amazônia devem ser sugeridas pelas bases do conhecimento cientifico”, disse Rodrigo em seu discurso de posse como membro afiliado à Academia Brasileira de Ciências (ABC), num evento realizado em Manaus, em setembro deste ano.
Ainda como estudante, Rodrigo acompanhou o desenvolvimento do programa e passou a coordená-lo à partir de 2005, quando se mudou para Santarém. Hoje ele se entusiasma com os diversos projetos em andamento, mas principalmente com o processo de formação de novos pesquisadores. Segundo ele, dos 120 doutores que trabalham efetivamente com estudos e pesquisas ligados à preservação ambiental, pelo menos 20% foram formados no âmbito do LBA, cujo laboratório está instalado no Campus da UFOPA – Universidade Federal do oeste do Pará, com quem mantém parceria. “Não existe melhor contribuição à pesquisa amazônica, do que formar cientistas daqui, falando das coisas daqui”, conclui o coordenador do LBA.
(Jota Ninos de Santarém/ Especial para o DOL)
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