Em entrevista coletiva na manhã deste sábado, o diretor do Hospital Universitário João Barros Barreto, Dr. Eduardo Leitão, afirmou que está tomando todas as providências para que casos como o da menor abusada na enfermaria do hospital, no último dia 14 de outubro, não se repitam. Leitão disse que vai rever as regras sobre troca de acompanhantes da pediatria e que o hospital continuará dando assistência à vítima.
Apesar de ter ocorrido há uma semana, o caso da menina de apenas 3 anos abusada dentro da ala da pediatria do Barros Barreto só foi divulgado na tarde da última sexta-feira (21). A mãe da criança, Dhayana Ingrid Ribeiro, 20 anos, revelou à polícia que a vítima foi abusada sexualmente por Luiz Otávio Ferreira Borralho, acompanhante de uma outra criança na enfermaria 221. A mesma onde Dhayana estava com sua filha. Após ser comunicado à direção do hospital, o caso foi encaminhado à delegacia do Pró-Paz, que em seguida ordenou que o hospital impedisse imediatamente a entrada do suspeito.
A respeito das críticas da delegada Nadiana Dahas, do Pró-Paz, sobre a troca de acompanhantes ser apenas na portaria, causando uma demora em média de dez minutos, o diretor disse que essa regra serve para evitar a presença de muita gente ao mesmo tempo no hospital e principalmente, como uma forma de prevenir a contaminação por infecções entre as pessoas que transitam no local. “O hospital possui 300 leitos, ou seja, são 300 acompanhantes que se revezam entre outros 300 acompanhantes, imagina se isso tudo ocorre aqui dentro, numa mesma hora. O risco de infecção vai ser muito grande. O regulamento de troca de acompanhantes somente na portaria é uma forma de prevenção”, afirma.
Em relação ao caso específico da pediatria, Leitão disse que o hospital já pensa numa forma de rever as regras sobre o revezamento de acompanhantes. “Este foi um caso isolado. É a primeira vez que isso acontece no hospital. Os acompanhantes da pediatria geralmente são os pais, tios ou avós. Ou seja, pessoas muito próximas das crianças, o que nos deixava tranquilos em relação a qualquer tipo de incidente. Mas, após essa ocorrência, nós estamos repensando sobre como a pediatria pode resolver essa situação”, disse.
Uma das sugestões apresentadas por Leitão é a presença de funcionários do hospital no momento em que ocorre a troca de acompanhantes.
O CRIME
Segundo relato da mãe da criança, o crime ocorreu no momento em que ela se dirigia para a portaria do hospital para receber sua mãe, que iria acompanhar a menor. “A enfermaria das crianças é distante da saída do hospital. Então, até eu descer e passar as informações para a minha mãe, foi tempo suficiente para ele aliciar minha filha”, contou Dhayana. A criança ficou aproximadamente 20 minutos na enfermaria sem acompanhante até a avó chegar ao local.
Assim que a avó da menina entrou no quarto, notou o semblante de assustada da neta, sentada no colo do avô de um garoto que estava internado na mesma enfermaria. O homem de aproximadamente 50 anos, identificado pela polícia como Luiz Otávio Ferreira Borralho, não demonstrou nenhum tipo de reação.
A família só veio descobrir o crime após uns dois dias, quando, ao banhar a criança, ela chorou e disse que um homem tinha colocado o dedo nela. Após os indícios do aliciamento, a mãe da menina resolveu comunicar imediatamente o ocorrido para a enfermeira-chefe, identificada apenas como Telma. O caso foi levado à direção do hospital, que entrou em contato com o Pró-Paz.
(Diário do Pará)
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