Depois da decisão do último sábado, quando a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros liberaram o tráfego e o acesso às moradias na rua Diogo Moia, entre a avenida Generalíssimo Deodoro e a travessa 14 de Março, o trecho voltou a ser interditado ontem, por decisão da Justiça.
A liberação foi feita depois de uma avaliação preliminar dos engenheiros do Gaema/UFPA, que apontou que o edifício Wing não apresenta riscos de desabamento. Mas o juiz João Batista do Nascimento, titular da 8ª vara cível, concedeu liminar aos moradores do edifício na manhã de ontem, condicionando o retorno das famílias à conclusão do laudo pericial a ser emitido pelos próprios engenheiros da UFPA.
“O juiz entendeu que uma liberação parcial feita em cima de uma análise prévia foi precipitada”, explicou o advogado Denis Verbicaro, que representa os moradores do edifício Wing. Para ele, o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado no fim desta semana entre os moradores e a construtora, via Ministério Público do Estado, foi desrespeitado, pois nele está dito que a situação de liberação do prédio só ocorreria com a entrega do laudo.
Direito de ir e vir
Porteiro do edifício La Vie En Rose, que fica ao lado do edifício Wing, Rui Celso opinou que a rua deve ser liberada apenas com a emissão do laudo definitivo: “Nós ficamos apreensivos trabalhando aqui, e entre os moradores, muitos dos que são inquilinos já manifestaram a vontade de não voltar mais para cá”.
Para o administrador Elielson Maciel Silva, o pedido feito na Justiça pelos moradores do Wing, com a liminar que acabou sendo concedida, lesa o direito de ir e vir dos moradores da rua, como ele, cuja casa fica localizada bem em frente ao prédio. “Eu não estou preocupado, nem me sentindo ameaçado, acho que eles podem não querer voltar para o prédio, mas não podem impedir as outras pessoas de voltarem para suas casas. O coronel da Defesa Civil disse que 75 itens foram verificados no prédio e não apresentaram problemas, o que aconteceu foi um caso isolado, uma fissura no edifício garagem, que nem é ligado ao principal. Acho que os moradores estão fazendo um alarde”, opinou ele.
A Porte Engenharia segue custeando a hospedagem dos moradores dos 28 apartamentos do Wing, e também dos vizinhos do La Vie En Rose.
O CASO
Por volta de 1h do domingo (16), moradores do edifício Wing, de 28 andares, localizado na Rua Diogo Moia entre 14 de Março e Generalíssimo Deodoro, no bairro do Umarizal, em Belém, ouviram estalos em um dos pilares do edifício garagem. Durante a madrugada, equipes do Corpo de Bombeiros foram até o local e isolaram a área, sendo que todos os moradores do Wing e do La Vie En Rose, prédio que fica ao lado, foram hospedados em hotéis da capital. Além dos edifícios, mais duas casas e uma vila também tiveram que ser isoladas e a rua foi interditada.
(Diário do Pará)
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