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Sespa combate o aumento dos casos de Chagas

A ocorrência da doença de Chagas no Estado já contabiliza 85 casos e 10 mortes só em 2011. Até ao final deste ano, esse número deve aumentar, segundo as estimativas do Programa de Controle da Doença de Chagas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesp

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A ocorrência da doença de Chagas no Estado já contabiliza 85 casos e 10 mortes só em 2011. Até ao final deste ano, esse número deve aumentar, segundo as estimativas do Programa de Controle da Doença de Chagas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Em 2009, a doença teve seu auge no Pará, com 240 casos. No ano passado, esse quantitativo chegou a 78.

Segundo a coordenadora do Programa, Elenild Góes, o aumento de casos ocorrerá devido às capacitações realizadas pela Sespa que tem atualizado profissionais de saúde dos hospitais Gaspar Viana e Barros Barreto para o atendimento de pacientes com a doença de Chagas. "Só este ano realizamos duas rodadas de treinamento para servidores do Barros Barreto que atuam no ambulatório destinado ao tratamento da doença. A transmissão oral é algo que sempre aconteceu, mas há uma subnotificação, decorrente da desinformação. Como esses profissionais têm sido mais esclarecidos sobre o tema, a tendência é que esse número de casos aumente", explica Elenild.

As capacitações mantidas pela Sespa fazem parte dos itens do Plano Estadual de Combate à Doença, lançado pela Secretaria há três anos. Desde então, tem sido possível também estabelecer protocolos de pesquisa de campo, fluxos de amostras de laboratório e informações, rede de referência e contra-referência e metodologias de investigação de surtos, além de capacitações para batedores de açaí para a melhor manipulação do produto.

A intenção do Plano é ampliar, ainda, o leque de capacitações para profissionais de saúde dos hospitais regionais de Breves e de Altamira; instituir o Sisreg Estadual para a doença de Chagas; auxiliar na implantação de postos de coleta de sangue em pontos estratégicos de Belém e estreitar as relações com o Ministério Público e Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) na discussão de soluções para conter o avanço da doença. Ela acrescenta ainda que a Sespa reconhece que Belém, ao registrar 36 dos 85 casos no Pará, passa por um surto de Chagas. "Protocolo da Organização Mundial de Saúde (OMS) indica isso ao afirmar que, quando se tem dois casos no mesmo lugar e mesmo período, há oficialmente um surto", afirma Elenild.

Independente de época e de reconhecimentos de surtos, o cerco ao barbeiro tem sido feito continuamente pela Sespa através de uma parceria com as vigilâncias epidemiológicas e sanitárias dos municípios, com a intenção de manter o controle do número de casos, combater a subnotificação e evitar que pacientes da doença sejam tratados antes de evoluírem para a fase crônica. A contaminação pela doença de Chagas pode acontecer por via oral - quando os alimentos não são higienizados corretamente e podem estar contaminados com as fezes do barbeiro (que causa a doença) ou partes do inseto - ou através da picada do barbeiro. Após o diagnóstico da doença, através de exame de sangue, o tratamento deve começar imediatamente.

Atualmente, 115 pacientes chagásicos estão sendo acompanhados desde 2009 pelo Programa Interdisciplinar de Doença de Chagas (PIDC) do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Outros 25 são monitorados pelo PIDC do Hospital Universitário Barros Barreto. De acordo com Dilma Souza, cardiologista coordenadora dos dois programas, é preciso que os profissionais de saúde das unidades de saúde estejam em alerta para os sintomas da doença, no intuito de evitar que pacientes cheguem aos dois ambulatórios de Chagas em estado grave.

Dilma reforça que o paciente, com a doença já instalada, deve seguir à risca um tratamento que envolve medicacação via oral entre 60 e 90 dias com acompanhamento de um cardiologista. "Isso é essencial porque, em grande parte, a morte acontece devido à miocardite, uma inflamação do coração. Além disso, quem é chagásico é obrigado a fazer raio-x e eletrocardiograma".

O tratamento realizado nos dois hospitais é interdiscliplinar porque envolve também um acompanhamento psicológico ao paciente que, segundo Dilma, em muitos casos renega a doença por conta do estigma provocado. "A sobrevivência é possível, mas é primordial a adesão do paciente durante 5 anos. Ainda assim é ideal que a pessoa que tenha tido a doença vá ao cardiologista anualmente para verificar se o coração está em ordem”. A coordenadora de Entomologia da Sespa, Paola Vieira, afirma que prosseguem, ainda, as investigações da Sespa com relação aos três tipos diferentes do inseto conhecido como barbeiro encontrado nos bairros de Val-de-Cães, Jurunas e Souza, em Belém.

Tanto Paola, como Elenild e Dilma fazem um apelo à população para se certificar de que todas as normas de higiene estejam cumpridas pelo estabelecimento, de acordo com os protocolos das vigilâncias sanitárias municipais. “É preciso cuidado na hora de comprar os alimentos. Quanto ao açaí, não é verdade que congelar o produto seja capaz de matar o Trypanossoma cruzi, protozoário transmissor da doença. Testes feitos pela Universidade de Campinas (Unicamp) comprovam que o parasita consegue sobreviver mesmo sob condições de baixas temperaturas como de um congelador”, alerta Elenild. (Agência Pará)

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