O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros fez ontem à noite, ao proferir no Hangar Centro de Convenções uma palestra pela passagem dos 50 anos de fundação do Banco do Estado do Pará (Banpará), uma “leitura otimista” da realidade brasileira à luz da crise financeira internacional. Ao mesmo tempo, porém, fez vários alertas. Advertiu, por exemplo, que problemas novos vão aparecer e que não basta ao governo atual fazer o que fizeram os dois antecessores – Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. “O Brasil tem novos desafios pela frente”, afirmou.
Ex-ministro das telecomunicações, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-diretor do Banco Central no governo de FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros disse que a presidente Dilma Rousseff mudou o “software econômico” do país. “Mudou para melhor ou para pior?” – perguntou-lhe o repórter. “Eu não gosto”, respondeu Mendonça de Barros, afirmando que o Brasil continua apresentando sérios problemas conjunturais. Das medidas recentes que não têm a sua aprovação, ele citou o aumento da alíquota do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) em 30% para os veículos importados.
INDICADORES
Ao mesmo tempo, o ex-ministro admitiu que o Brasil convive hoje com alguns indicadores bastante favoráveis, construídos nos governos passados. Um deles é o crescimento mais harmônico e equilibrado, que se espalha por todo o território nacional e não mais concentrado em algumas regiões, como acontecia até poucos anos atrás no Sul e no Sudeste. O Pará, com o seu boom imobiliário, conforme frisou o ex-ministro, é um exemplo disso.
Outro aspecto positivo, apontado por ele, é o fato de ter hoje o país uma economia muito mais organizada do que tinha em passado recente, fator que ele atribuiu ao crescimento da renda, em especial dos salários, e à crescente formalização de segmentos econômicos que antes sobreviviam na informalidade.
É por isso, conforme frisou, que a arrecadação tributária deve crescer este ano 12%, enquanto a economia terá um crescimento bem mais modesto, que estimou em torno de 3,5%.
Mendonça de Barros destacou também que os bons indicadores da economia brasileira fazem do país objeto de interesse dos investidores internacionais. Tanto, disse ele, que o Brasil deverá registrar este ano um volume recorde de investimento estrangeiro, da ordem de US$ 73 bilhões.
“Em matéria de investimento externo, nós só vamos ficar atrás da China”, acrescentou. Sua palestra foi bastante aplaudida por uma plateia que tinha, entre outros convidados ilustres, o governador Simão Jatene e diversos secretários de Estado.
(Diário do Pará)
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