Passaram-se cerca de cinco meses desde que a prefeitura de Belém publicou o decreto que instituiu o sistema de Bilhete Único no serviço de transporte coletivo urbano e até agora a norma não saiu do papel. O sistema prevê que por duas horas o usuário pode usar o mesmo bilhete em vários ônibus.
A Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) atribui a não implantação do sistema ao atraso da pesquisa que está sendo realizada pela Companhia para levantar a viabilidade da aplicação do serviço. O decreto previa que o sistema deveria estar funcionando em agosto.
Em reunião na sede do Ministério Público do Estado (MPE), na tarde de ontem, com representantes dos usuários de transporte coletivo, CTBel e promotoria de Justiça de defesa do consumidor, ficou definido que a Companhia tem até o final de novembro para apresentar estes estudos. Por enquanto, o edital de licitação que iria definir a empresa responsável pela implantação do sistema foi revogado e o decreto prorrogado.
O planejamento da CTBel não considera terminais de integração e não aponta como o Bilhete Único será implementado e comercializado. “Isso vai depender do resultado dos estudos e da forma como a empresa responsável fará a infraestrutura necessária para implantar o serviço”, argumenta o diretor de trânsito da CTBel, Paulo Serra.
REAJUSTE
Após a reunião no MPE, Serra não quis falar sobre aumento de valores da passagem, mas, em entrevista ao DIÁRIO, ontem pela manhã, cogitou a possibilidade de aumento em até 10% do valor atual da tarifa, que pode subir para até R$2,20.
Na reunião, o presidente da Associação dos Usuários em Transporte de Passageiros do Estado do Pará (Assutpa), José Lago, apresentou outros pontos discordantes. “Como os usuários de Mosqueiro e Outeiro, por exemplo, conseguirão utilizar o bilhete se a duração das viagens demora mais de duas horas por causa do trânsito caótico e confuso de Belém”, disse, referindo-se ao tempo de uso da bilhetagem única estabelecido no decreto.
Lago afirmou que os usuários precisam participar do processo de construção da instalação do sistema. “Onde será feita a recarga deste cartão? Em qual parte dos ônibus estará localizada a máquina que validará a passagem? Quanto isso vai custar ao bolso da população? Por que não abranger toda região metropolitana de Belém? São esses pontos que não ficam claros e a CTBel só diz que está realizando os estudos”.
Paulo Serra afirmou que as perguntas serão respondidas assim que ficarem prontos os estudos. “O Bilhete Único é uma integração temporal. Nossas pesquisas apontaram cerca de 20 pontos de transbordamentos e nosso pessoal está avaliando o sobe e desce de passageiros em toda cidade. Por enquanto, só podemos afirmar que reunimos com representantes de todas as prefeituras dos municípios que compõem a grande Belém e solicitamos que os mesmos estudos fossem realizados nestas localidades para só então pensarmos em ampliar o projeto”.
A CTBel justifica, ainda, que o atraso na entrega dos relatórios da pesquisa se deu em virtude das férias de julho, considerado pelo diretor como um mês atípico, quando o fluxo de pessoas na cidade diminui, o que, segundo ele, comprometeria a pesquisa. “Estamos em fase final”, afirma Serra.
O universitário Haroldo Garcia, 28 anos, espera ansioso pela implantação do sistema. Subindo e descendo de ônibus é que ele faz o trajeto casa/faculdade/trabalho/casa, diariamente. Para conseguir chegar ao final da maratona, o rapaz pega seis ônibus. “Em dias movimentados pego até dez ônibus. É um gasto enorme”.
(Diário do Pará)
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