Dar novos rumos para a museologia neste novo milênio. Com esse propósito, foi realizada a palestra “Conceitos, Práticas e Desdobramentos da Nova Museologia no Século XXI”, ministrada pelo pesquisador francês Hugues de Varine-Bohan, consultor em Museologia e Desenvolvimento Comunitário, nesta quinta-feira, 27, na Universidade Federal do Pará (UFPA). O evento foi promovido pelo curso de Museologia da Faculdade de Artes Visuais do Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA), em parceria com o Ecomuseu da Amazônia. Alunos e profissionais da área de Museologia estiveram presentes.
Hugues abordou um novo tipo de conceito referente ao posicionamento de instituições que cuidam do patrimônio histórico, como os museus, no sentido de não se portarem como entidades fixas com apenas uma função ou sedes de visitas para turistas, mas de também serem agentes decisivos para o desenvolvimento das comunidades situadas em suas proximidades. Esse novo conceito prevê, ainda, que o público possa ser mais participativo na idealização e construção desses espaços.
Novos rumos para os museus - O pesquisador colocou exemplos de museus que têm projetos inovadores, como o Ecomuseu do Barroso, em Portugal, que realiza funções de documentação, investigação e interpretação dos valores culturais e naturais do território em torno do museu, reforçando a identidade cultural desta comunidade e revitalizando a relação desta com o seu espaço geográfico. Ele também chamou atenção para os museus comunitários, dos quais a própria população é responsável pela catalogação histórica e patrimonial, como ocorre no Museu Comunitário da Lomba de Pinheiro, no Rio Grande do sul.
Sobre a possibilidade de se implementar este novo conceito em mais museus pelo mundo, o consultor afirmou: “Cada situação é diferente. Quando sou chamado para ajudar, faço todo levantamento do lugar, como frequência de visitação, localização, atividades voltadas à comunidade em torno do museu e, no final, decido o que eu posso fazer para melhorar a relação do museu com a comunidade, mas logo em seguida, entra o poder público que pode não achar viável e descarta o projeto. Entretanto, quando a importância dessa relação ‘museu e comunidade’ é entendida e aceita, quem ganha com isso é a sociedade.”
Para o professor Luiz Tadeu da Costa, coordenador do curso de Museologia, o evento foi de grande importância para alunos e profissionais da área. “Os desdobramentos e as aplicações desse conceito ainda são muito recentes no mundo e, principalmente, no Brasil. O tema é interessante não apenas para a Museolologia, como também para a História, Antropologia, Geografia, Arte e áreas em que nossos alunos podem se especializar futuramente. Levar esse novo conceito de museu para essas outras áreas é muito importante”, esclarece o coordenador.
Ecomuseu da Amazônia: Em Belém, esse novo conceito de museu pode ser visto no Ecomuseu da Amazônia, situado no Distrito de Icoaraci , na Ilha de Cotijuba, na Ilha do Mosqueiro e na Ilha de Caratateua. O Ecomuseu tem como objetivo o desenvolvimento de programas de preservação e recuperação dos patrimônios naturais e culturais da Amazônia, visando à emancipação, à autossustentação e à melhoria da qualidade de vida dos indivíduos das comunidades ligadas ao projeto. (Ascom UFPA)
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