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“Zumbis” se divertem pelas ruas

Imagine você, saindo de casa num dia qualquer, para seguir a mesma rotina. Está ali, perdido na monotonia, parando na loja de conveniências para comprar um Nescau e ir pro trabalho, quando, de repente, se vê confrontado com uma realidade catastrófi

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Imagine você, saindo de casa num dia qualquer, para seguir a mesma rotina. Está ali, perdido na monotonia, parando na loja de conveniências para comprar um Nescau e ir pro trabalho, quando, de repente, se vê confrontado com uma realidade catastrófica. Você é a única criatura, digamos, viva, que enxerga nas ruas. Todos viraram ‘mortos e vivos’, zumbis, que marcham sobre a cidade em busca de miolos e carne. Esses seres, providos de uma pequena parte do cérebro que recepta os instintos mais animais, estarão caminhando pelas ruas de Belém hoje à noite, na 6ª edição da Zombiewalk.

“A marcha começou em 2003 no Canadá, através de um flashmob, e nós, como fãs de filme trash e dessa cultura zumbi, resolvemos reproduzir aqui, fazendo de Belém a primeira cidade no Brasil a ter uma Zombiewalk, seguida de São Paulo”, contou Márcio Crux, um dos organizadores do evento local, que reúne entre 150 a 200 pessoas devidamente caracterizadas - com alguns pedaços do corpo faltando e sangue escorrendo - a cada edição.

“Zumbis” se divertem pelas ruas
A proposta, segundo ele, é juntar aficionados pelo gênero terror e fazer uma brincadeira sadia, sem um propósito político, uma perspectiva contrária aos grandes filmes que tem zumbis como protagonistas dirigidos por mestres como George Romero, Lucio Fulci e Dario Argento, que sempre tinham a tônica de criticar a apatia e os dogmas da sociedade moderna.

Márcio lembrou que histórias de zumbis têm origem no sistema de crenças espirituais do Vodu, religião do Haiti, que versam sobre trabalhadores controlados por um poderoso feiticeiro, uma criatura dada como morta que foi posteriormente desenterrada e reanimada por meios desconhecidos. “Essa crença foi adaptada primeiramente para o cinema e a partir daí ganhou força. Para mim, tem o lado filosófico do zumbi que é aquela pessoa que fica ‘parada na vida’, a mercê, insensíveis ou parasitas, como um zumbi de fato que age a partir da necessidade vital de manter a pequena parte do cérebro que ainda funciona viva, alimentando-se”, acrescentou o fã.

Para a assistente administrativa Luciana Wolf, frequentadora assídua da marcha, o zumbi representa uma maldição, uma intermitência da morte, uma tentativa frustrada de retorno à Vida e, por este não ser um caminho natural da mesma, sua figura causa terror aos vivos, e repugnância pela sua aparência pútrida. “O que me motiva a ir na marcha é torná-la uma tradição, algo reconhecido e que as pessoas saibam que todo ano acontece, aproveitando o ensejo do Halloween e do nosso Dia de Finados”, explicou ela.

A ideia, frisou Márcio, é mesmo assustar e divertir quem estiver pelo caminho ou participando da marcha, como zumbi ou como vivo, com direito a tradicional parada para fotos em frente ao cemitério. “Passaremos por pontos movimentados do centro da cidade para observar a reação das pessoas também. Antigamente costumávamos maquiar as pessoas na marcha, mas agora não dá por que gasta muito, então pedimos que todos venham prontos, e isso de fato já acontece, a cada ano as pessoas fazem maquiagens e figurinos mais elaborados para participar”, contou.

A caminhada terminará no Espaço Cultural Fuxico, sede do grande banquete zumbi. “Na festa teremos a estreia da Banda The Walking Deads mandando ver clássicos do Horror punk nacional e internacional, as trilhas dos filmes de zumbi, e canções de bandas como Ramones e Mistfits”, disse Márcio. Com seu stoner rock, a Vinil Laranja também se apresenta, assim como os caras do DxSxT mandando muito hardcore para o público bater cabeça. E pra quem gosta de dançar, nas pickups os Dj’s Jeft e Junior (Dance Like Hell), Renato Purkhiser (Radio Trash) Marcelo Papel (Durango), Emerson Coe e Cristiano Cohen (Control), Alex Pinheiro, Junio Kostas e Bettie Munster prometem muito rock até o último zumbi ficar em pé, seja sóbrio ou não. (Diário do Pará)

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