Na última segunda-feira, 24, Marihugo Siqueira, 54 anos, tomou um susto quando ligou a televisão. Na TV RBA, Raimundo Nonato Ferreira dos Santos, o “Maranhão”, 30 anos, contava em detalhes como havia sido a trama que envolveu o planejamento, preparação e execução do assassinato e posterior esquartejamento do auxiliar administrativo Joelson Souza Ramos, num quarto de motel em Ananindeua. Joelson era sobrinho de Marihugo. De certa forma, o rapaz era uma espécie de filho de Siqueira, que ajudou a criá-lo até uma certa idade. “Isso me chocou bastante. O parceiro da Savana contou como se nada tivesse acontecido”, diz.
Três dias depois dessa cena nas imagens da TV, Siqueira espera em frente ao Fórum Criminal de Ananindeua. Chegou antes das 7h, sem a certeza de que a audiência de instrução marcada para a quinta-feira, 27, fosse ocorrer. “Ouvi dizer que seria adiado”, explicava, antes de ser entrevistado por diversas emissoras de televisão.
Os temores não eram infundados. O advogado de Savana Nathália Rodrigues da Cruz, 26, Cesar Ramos, realmente havia entrado com uma liminar solicitando o adiamento da audiência. Tinha outro compromisso judicial, esse em Castanhal, que acabou não ocorrendo. “Vamos em frente”, disse o advogado.
Seria a primeira vez que Savana e Raimundo Nonato estariam efetivamente à frente de um juiz - no caso, uma juíza, Andréia Miralha -, enfrentando as consequências do crime cometido no motel Colonial.
Savana chegou do Centro de Recuperação Feminino às 7h20. Quinze minutos depois foi a vez de Raimundo Nonato. Ela foi levada direto para a cela um. Nonato para a cela sete. São pequenos cubículos de quatro metros quadrados, com apenas um vaso sanitário e uma bancada.
Separados, esperavam a vez de serem conduzidos à juíza. Não podiam se comunicar. Até porque tinham advogados diferentes. E ambos com estratégias opostas de defesa. O advogado de Savana atribuía toda a culpa a Nonato. No argumento usado por ele, Savana teria errado por ‘se deixar envolver por Nonato e atrair Joelson’. A partir daí, tudo fora resultado do planejamento e execução feito pelo maranhense.
O advogado Arnaldo Lopes defendia tese contrária. Segundo ele, Nonato apenas ajudou Savana a se livrar da cabeça decepada de Joelson. Tudo o mais havia sido feito por Savana. Inclusive o esquartejamento. “Ela tinha curso de culinária. Sabia cortar”, argumentou quando questionado se ela tinha condições de esquartejar o auxiliar administrativo.
Em uma coisa os dois advogados concordavam. Fariam de tudo para tentar livrar a acusação de latrocínio, o roubo seguido de morte. A pena mínima é maior do que a de puro homicídio. No total, uma diferença de oito anos entre uma pena e outra. Aprovada a tese de homicídio, a dupla iria a júri popular. Uma chance a mais para que os advogados tentassem reverter o jogo em favor dos dois cúmplices. “Um júri é feito de sete pessoas. É diferente de termos um juiz apenas, que pode já estar com a sentença na cabeça”, diz um dos advogados. (Diário do Pará)
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