Pensar na economia do Brasil, principalmente nos últimos 20 anos, significa refletir sobre drásticas mudanças. Até o início dos anos 90, a economia brasileira esteve bastante fechada e submetida às influências da antiga política de substituição de importações, iniciada de forma significativa em 1950, com a qual se pretendeu promover o desenvolvimento do parque industrial brasileiro de manufaturados. “Nós tínhamos uma economia de caráter interno. A época foi marcada pela predominância das marcas nacionais. Não à toa, o Fusca era uma das principais marcas de automóveis do período. O início da abertura de mercado aconteceu somente com o governo Collor”, explica o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese), Roberto Sena.
Hoje, podemos sentir o avanço significativo desta mudança. “Até as profissões tiveram que acompanhar esse ritmo. Os núcleos de emprego eram muito mais fechados e a tecnologia bem inferior à atual. Com a abertura do mercado, o campo da informática foi um dos mais favorecidos. Fomos dos fuscas aos carros importados, de primeiro mundo”, diz o economista.
NOVO MERCADO
Essa transição entre realidades de mercado tão distintas fez com que os profissionais começassem a se preocupar com o quesito capacitação.
“Todos os setores da economia, naquela fase, acabaram pegando os profissionais despreparados. De um dia pro outro, tínhamos novas tecnologias, mas não pessoas preparadas para manuseá-las. Isso reverbera até hoje, a exemplo do “apagão” de mão de obra, uma escassez de trabalhadores especializados nos estados menos desenvolvidos, como é o caso do Pará”. Mão de obra muito farta e com baixa qualificação. Isso, infelizmente, ainda é realidade no Estado.
HORIZONTES
O Pará hoje é o 6º maior exportador de matéria-prima do Brasil e consegue importar 80% dos seus produtos prontos. “As nossas indústrias estão mudando, queremos sair do perfil extrativista. É difícil mudar essa matriz no mundo globalizado, mas acho que estamos começando a avançar, até porque hoje a sociedade debate isso muito fortemente. Já conseguimos, por exemplo, verticalizar a produção, transformar a matéria-prima em produto final aqui mesmo. Esta é a nova cara que o Pará tem”, defende o economista Roberto Sena.
Os investimentos previstos no Pará giram em torno de R$100 bilhões para os próximos quatro anos. A estimativa é de que isso vá gerar 150 mil postos de trabalho, um crescimento de emprego recorde. “Em toda a década passada não conseguimos nem a metade disso”, ressalta Sena.
Mineração e metalurgia: em alta
No último estudo lançado pelo Programa de Desenvolvimento de Fornecedores do Pará (PDF), com a atualização dos investimentos que compreende o período de 2010 a 2014, ficou constatada uma média de US$ 13,6 bilhões, número recorde. A diversidade também dita a regra no Pará, que possui inúmeras atividades, com a presença de diversos segmentos na indústria, comércio, serviços e agronegócios.
No entanto, as áreas que mais receberão investimentos serão mineração e metalurgia, com 70% do total investido no Estado até 2014. “No caso do Pará, estes investimentos em mineração vêm crescendo muito nos últimos anos. Segundo o jornal Valor Econômico, só com os investimentos do ano de 2010 o Pará era o sétimo Estado do Brasil em volume de investimentos, o primeiro da região Norte, ficando atrás de Estados do centro-sul do Brasil, como São Paulo e Minas Gerais. A tendência é que elevemos nossa posição nesse ranking se as novas projeções se consolidarem”, diz Luiz Pinto, coordenador do PDF.
Segundo ele, a capacidade das empresas do sul do país está próxima do seu limite e os profissionais estão muito demandados. “Portanto, os investimentos no Pará vão precisar das empresas locais e mão de obra regional. Mais do que nunca, as nossas empresas necessitam estar preparadas e os profissionais qualificados, pois estamos vivendo um momento de pico desses investimentos, momento em que se necessita de um grande volume de trabalhadores e mais contratos para empresas terceirizadas”.
Diante deste cenário, estarão em alta os profissionais que atuarem em campos como o industrial, de comércio e serviços. Mas todos precisam de um diferencial para estar capacitados e alinhados com as tendências de gestão e tecnologia. “Além disso, o Estado tem evoluído na construção de siderúrgicas e na verticalização da economia, dando continuidade na cadeia produtiva e crescendo significativamente as oportunidades em siderurgia, metalurgia e manutenção de equipamentos. Estes investimentos exigem profissionais com qualificação tecnológica de ponta e empresas fornecedoras com diferencial tecnológico, algo que o Pará ainda precisa desenvolver”, avalia Luiz Pinto.
Para atender a essa grande demanda, é preciso focar na especialização da mão de obra do Pará.
“Em nossos estudos, mapeamos a existência de mais de 120 mil empregos em todo o Pará até 2014, e esse número ainda vai aumentar. Portanto, há oportunidades em todas as áreas. Porém, as profissões de base são as mais carentes hoje no Estado, principalmente porque elas correspondem ao maior volume desta demanda, como é o caso dos trabalhadores técnicos”, ressalta Luiz Pinto. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar