Há pelo menos 30 anos, Manoel Santos frequenta as almas do cemitério de Nossa Senhora da Soledade, em Belém. É o que diz o guia turístico, de 46 anos, em mais um dia de orações.
Tempo e memória têm travado uma guerra entre os muros do cemitério encravado no bairro de Batista Campos, e Belém não percebe. O tempo se aproveita do descaso e do vandalismo para avançar impiedoso. Já a memória, tenta resistir com velas e orações. “Casa velha só cai quando a gente abandona. O que escora essa capela é a fé e devoção das pessoas”, diz o reverendo Brito, 71. Mas a fé não tem sido suficiente para conter a força dos anos, que cada vez mais ganham as batalhas sobre a memória do lugar.
Há mais de duas décadas, o reverendo cuida da pequena capela, erguida no meio do cemitério, para receber os homens e mulheres à procura de conforto espiritual e oração. Hoje, o espaço é o retrato do esquecimento do mundo. Imagem e semelhança de todo o cemitério. Bancos e paredes envelhecidos, com traços de um templo em ruínas, de pé à custa de muitos remendos.
E além de espaço para auxílio nas horas de desespero, é atração que o guia turístico Manoel Santos, 46, não dispensa de mostrar para os turistas em visita pela capital. “Eu sempre trago os turistas aqui. Cemitério também é ponto turístico, gente. Quando tá fechado, eu paro o ônibus e fico me esgoelando do lado de fora mesmo para contar a história dele”, conta o guia. E quando não traz seus turistas, lá está ele com terço na mão para cumprir seu ritual de orações. Leia mais no Diário do Pará.
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