A saúde bucal da região Norte é a pior do Brasil, atesta estudo. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, que mostrou redução no índice de dentes cariados, perdidos ou obturados, conhecido como CPO. Segundo os números, no país esse índice caiu 26% de 2003 para 2010 em crianças de 12 anos, passando de 2,8 para 2,1. Contudo, na região Norte, o índice aumentou de 3,1 para 3,2 no mesmo período.
“Isso é um retrato da má distribuição de renda no país. As políticas públicas voltadas para a saúde bucal melhoraram muito nos últimos anos, mas essa melhora não vem atingindo as localidades mais distantes e necessitadas”, avalia o coordenador da pesquisa, Ângelo Roncalli.
Professor de odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Roncalli participou ontem da X Jornada de Saúde Bucal da Amazônia, realizada em Belém. Ele apresentou dados da pesquisa realizada em 2010, pelo Ministério da Saúde.
CRIANÇAS
Também não foram bons os resultados relativos às crianças de 5 anos, que ainda têm dentes de leite. Verificou-se que cerca de 80% das cáries encontradas nessa idade não foram tratadas. “É preciso um programa que leve em conta as especificidades de cada região. Senão a saúde bucal vai continuar sendo artigo de luxo”, afirma a dentista Alda França, organizadora do evento.
Comunidades isoladas, escassez de tratamento dentário nos postos de saúde e a falta de investimento em prevenção são os fatores de risco. “Na região das ilhas, os usuário do SUS (Serviço Único de Saúde) têm que navegar longas distâncias para ter acesso a um médico. E, mesmo assim, não é certeza de que serão atendidos. As filas de espera para atendimento fazem com que o paciente opte pela extração do dente. Outro problema é a falta de campanhas voltadas para gestante e criança, muitas pessoas acreditam que o dente de leite não precisa ser curado, já que não é permanente”, diz Alda.
Engana-se quem pensa que dentes saudáveis é apenas uma questão de estética, apontam os dentistas. Uma pessoa sem dentes é mais suscetível a problemas gástricos, já que a mastigação é uma fase importante da digestão dos alimentos. Além disso, a cárie pode causar infecções e até câncer na boca, se não for tratada propriamente.
Dentre as doenças mais comuns no Pará estão a cárie, seguida da doença periodontal (gengiva), segundo dados da Associação Brasileira de Odontologia seção Pará (ABO-PA). Ambas são causadas por falta de higiene. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal mostraram que 35% da população precisa de tratamento ortodôntico.
Mas o levantamento também aponta melhora na saúde bucal do país. Segundo o estudo, 44% das crianças de 12 anos estão sem cárie. Em 2003, esse percentual era de 31%. Com a queda desse índice, o Brasil entrou no grupo de países com baixa prevalência de cárie. (Diário do Pará)
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