Em reunião ontem, no auditório do hotel Hilton, em Belém, os engenheiros do Grupo de Análise de Estruturas e Materiais (Gaema), contratados pelos moradores a pedido do Ministério Público, fizeram uma apresentação, explicando o laudo pericial que elaboraram sobre a análise de cálculo estrutural no edifício Wing, localizado na Rua Diogo Moia, no bairro do Umarizal. O prédio sofreu um problema com o concreto num dos pilares de sustentação da garagem, anexa à torre de apartamentos, e foi interditado. Esse problema já foi resolvido pela construtora. Além disso, outros 75 pontos da estrutura foram examinados e nenhum outro problema foi detectado.
No encontro, moradores da área do entorno e condôminos do edifício ouviram, a portas fechadas, as avaliações da equipe quanto à segurança do prédio. Em seguida, o coordenador da equipe do Gaema, professor da Faculdade de Engenharia Civil da UFPA, Dênio Carvalho de Oliveira, falou com a imprensa e garantiu que o vento não foi levado em consideração durante a execução do projeto, mas destacou que, para que se leve em consideração o risco de desabamento, precisa-se somar vários fatores extremos, como o carregamento disposto sobre os pilares e ventos com velocidades elevadas. Segundo ele, apenas o vento de forma isolada não representaria risco à estrutura.
De acordo com a avaliação da equipe, as obras necessárias para dar mais segurança ainda ao prédio não são complexas e poderiam ser feitas por engenheiros paraenses. A estrutura foi simulada em computadores e resisitiu a ventos de até 30 m/s (cerca de 110 km/h), estabelecido em norma. Na escala Fujita, que mede a força dos tornados (como são conhecidos os furacões em terra), os tornados categoria 1 têm ventos de 65 km/h. A partir de 110km/h, os tornados passam à categoria 2.
Alguns engenheiros consultados pelo DIÁRIO, que não querem entrar em polêmicas, afirmam que não há sentido em construir prédios em Belém para resistirem a situações que nunca ocorreram em nossa região. Para eles, é como se fossem obrigados a construir prédios imunes a terremotos, que inexistem por aqui. Se aplicadas tais exigências, muitos prédios de Belém não atenderiam às normas atuais. Por último, afirmam que não existe na literatura técnica registro de algum prédio que tenha caido por ação do vento.
De acordo com o laudo, a fundação do prédio apresenta condições de segurança que garantem a estabilidade. “Os reparos precisam ser feitos para que sejam respeitadas as normas técnicas”, admitiu Dênio. Diferente do ocorrido ontem, quando os moradores se retiraram da reunião convocada pelo Ministério Público do Estado (MPE), a maioria se sentiu satisfeito com as explanações. Alguns cogitaram voltar para suas moradias, mas a maioria ainda não se sente à vontade para retornar ao lar.
A empresa Porte Engenharia informou que vai continuar custeando as diárias de todos os moradores do edifício Wing. A empresa declarou ainda que está em negociação com os moradores para decidirem quais obras devem ser feitas para resolver definitivamente a questão. (Diário do Pará)
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