Ele chegou de mansinho. Aos poucos ganhou espaço e agora é a última moda entre crianças, jovens e até adultos. O aparelho ortodôntico visto até bem pouco tempo como grande vilão do visual, virou acessório indispensável. Nos consultórios odontológicos, a mudança comportamental preocupa. Especialistas alertam: o mal uso do aparelho pode provocar danos irreversíveis à saúde, dentre os quais a perda de dentes.
O DIÁRIO reuniu um grupo de cinco amigos adolescentes e constatou a mania. Na sala onde estudam, metade dos alunos usa o aparelho. O número aproxima-se dos 100% quando se considera os que já passaram pelo tratamento ortodôntico.
Quando ouviu da tia dentista que precisaria de aparelho no futuro, Ana Luiza Brandão, 14, vibrou. “Ficava contando os minutos. Que legal, quando crescer vou usar aparelho! Comecei e achei o máximo!”. O amigo Heyder Souza, da mesma idade, também ficou ansioso. “No meu caso, foi um pouco de inveja também. Meu irmão usava [aparelho] e eu não via a hora de ter um. Não acho feio usar”, conta.
O visual dos aparelhos é fator importantíssimo para o sucesso entre os pacientes. Peças menores, mais leves, discretas ou coloridas estão disponíveis no mercado e favorecem a popularização. As facilidades de pagamento e os preços mais acessíveis também incentivam a procura pelo tratamento. Mas há ainda outro fator. “A mídia influencia muito nessa questão. Os pacientes chegam ao consultório querendo colocar o aparelho que a personagem da novela está usando”, afirma a dentista Juliana Brabo, que aponta a “febre” das borrachinhas coloridas como outro motivo ligado à fama dos aparelhos.
Com 14 anos, Ana Paula Colino confirma a tese da especialista. “No começo eu queria ir ao dentista toda semana pra mudar a cor da borrachinha, mas como não pode, eu mudo todo mês. Já combinei com o uniforme, com as minhas pulseiras, usei uma de cada cor. Mudei até pra combinar com o vestido que usei na formatura da minha irmã”, relembra.
Segundo Juliana Brabo, fazer do aparelho um aliado da moda não é o principal problema. O mal maior é quando o paciente resolve mexer na peça por conta própria, como fez Ana Paula em uma ocasião. “Tinha escolhido uma cor meio forte, aí enjoei. Arranquei só as borrachinhas com a faca”. A dentista reprova a atitude e explica que essas peças ajudam a exercer a pressão certa sobre os dentes, forçando a movimentação.
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