Formado por afro-religiosos, daimistas, wiccas, hare-krishnas, cristãos, esotéricos, espíritas, ciganos, o Comitê Interreligioso do Pará quer chamar a atenção para o problema da morte violenta de jovens no Estado. O grupo aproveitou o domingo e a movimentação intensa na Praça Batista Campos para promover um ato que denominou “Contra o Extermínio da Juventude e a Favor da Cultura de Paz”. Houve um cortejo pela praça e, ao final, eles fizeram a leitura dos nomes de dez jovens paraenses mortos de forma violenta.
Cibele Kauss, uma das organizadoras do evento, explicou que a ideia era reunir as diversas filosofias religiosas que compõem o Comitê Inter-religioso, com a participação da juventude organizada e de entidades parceiras, “para honrar a memória de adolescentes e jovens assassinados no Pará e no Brasil” e chamar a atenção para o problema da violência, especialmente contra os jovens negros e pobres.
Segundo dados levantados pelo Comitê, tem havido aumento da violência entre os jovens negros. Dados do Mapa da Violência de 2011 revelam que o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa queda de 22,3%. Entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%.
“As vítimas são jovens negros das periferias”, diz Cibele. Em 2002, morreram proporcionalmente 45% mais negros que brancos em casos de homicídio. Em 2008, a taxa subiu para impressionantes 111,2%. Estes dados são fruto, segundo o comitê, do aumento da taxa geral de homicídios em estados com forte presença de população negra. Os Estados em que mais se matam negros no Brasil são, pela ordem, Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
No Pará, dados da Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública do Estado revelam que, de janeiro de 2008 a setembro de 2011, 124 jovens de 12 a 22 anos foram mortos pela polícia. A justificativa, na maioria dos casos, é a resistência à prisão ou legítima defesa dos policiais. (Diário do Pará)
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