Começou ontem, nas ilhas do Combu e dos Papagaios, a segunda fase da pesquisa para definir as áreas de risco e transmissão do inseto conhecido como barbeiro, causador da Doença de Chagas. A ação é realizada pela Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) e segue até o dia 18 de novembro. Entre as atividades previstas, estão a realização de testes na população, para identificação de portadores da doença, além do georeferenciamento das casas da comunidade. Também serão feitos estudos do habitat natural do barbeiro e ações de educação preventiva junto aos ribeirinhos. O principal alvo são os colhedores de açaí, que são muito presentes nas ilhas.
A escolha da região para a expedição se deve ao fato de boa parte do açaí consumido em Belém ser proveniente desse lugar, localizado à margem esquerda do rio Guamá, em frente ao campus da Universidade Federal do Pará. “Neste domingo nós já começamos a fazer o inquérito sorológico na população. Não estamos fazendo aqui por causa de um surto da Doença de Chagas nas ilhas, pois o único caso registrado da doença foi em 2009. O objetivo é traçar o perfil epidemiológico da doença em Belém. Essa é uma área onde podemos encontrar o barbeiro, e é de onde o açaí é extraído e levado para o porto do Jurunas e da Palha”, destacou a coordenadora estadual do Programa Contra a Doença de Chagas, Elenid Goes.
De 12 a 18 de novembro, outras atividades se somarão às ações de pesquisa: além de palestras sobre boas práticas de manipulação de alimentos, incluindo o açaí, feitas por técnicos da Vigilância Sanitária da Sespa, serão feitas avaliações sobre a presença de barbeiros e condições ambientais. Para isso, serão visitados locais onde ficam animais silvestres e domésticos.
A partir do dia 11, a Vigilância Sanitária também estará na região das ilhas para pesquisar e orientar moradores a respeito do extrativismo do açaí. Ao todo, participarão do trabalho cerca de 170 profissionais.
Aproximadamente 1.500 pessoas das ilhas serão examinadas e participarão das atividades educativas. “Viemos orientar sobre alguns cuidados a mais necessários para que a cadeia produtiva do açaí fique mais higienizada. Além disso, há o reforço dos cuidados domésticos, pois aqui é comum os barbeiros invadirem as casas”, justificou a coordenadora estadual do Programa de Doença de Chagas.
O lavrador João Barbosa recebeu as orientações para prevenir o mal e aproveitou para fazer o teste. “De vez em quando a gente vê o barbeiro por aqui. O inseto eu já conhecia há muito tempo, mas muitas dessas orientações são novidades para mim”.
LUZ ELÉTRICA
Já o colhedor de açaí Ednei Nascimento gostou das orientações, mas reclamou: para ele, o foco dado às ilhas no combate à doença fez com que o comércio do açaí diminuísse consideravelmente. “Há quatro meses nós estamos com luz elétrica e isso atrai o barbeiro. Por isso é bom saber como proceder com o inseto. Mas estamos sofrendo porque o mercado caiu muito”, contou.
Em 2009 foi realizada a primeira fase da pesquisa em Belém, nos bairros de Val-de-Cans e Jurunas, que na época registraram os maiores índices de casos da doença. No interior do Estado, trabalho semelhante foi feito ao longo de 2008, em Abaetetuba, e nas ilhas de Ajuaí e Genipaúba.
CUIDADOS COM O AÇAÍ
- Não pegar o açaí de short, para não contaminar o fruto com suor;
- Jogar os frutos em uma lona branca. Isso ajuda a retirar insetos e sujeiras;
- Depois, colocar o açaí em um recipiente de plástico e não de material vegetal, para que o mesmo possa ser higienizado com frequência;
- Deixar o açaí descansando ao ar livre pode ser perigoso. No sol, o açaí transpira e solta gás carbônico, que atrai o barbeiro.
CUIDADOS EM CASA
Outras dicas importantes de prevenção para quem mora em habitat comum aos barbeiros:
- Jamais matar o inseto com a mão ou com os pés;
- Ter cuidado na cozinha. O barbeiro pode ser atraído por outras frutas também;
- Como às vezes o inseto entra nas residências, sempre deixar as comidas tampadas e ter muita atenção na hora do preparo, para que nenhum barbeiro possa cair dentro de uma panela;
- A luz atrai o barbeiro. Durante a noite, evite deixar lâmpadas acesas quando desnecessário;
(Diário do Pará)
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