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Hemopa precisa de sangue e desfaz mitos da doação

Fábio Henrique Conceição tem 32 anos e desde que nasceu sofre de um tipo de anemia grave, a falciforme – uma deficiência que impede os glóbulos vermelhos de produzirem sangue. Por causa da doença, Fábio, que é servidor público, cresceu fazendo transfusões

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Fábio Henrique Conceição tem 32 anos e desde que nasceu sofre de um tipo de anemia grave, a falciforme – uma deficiência que impede os glóbulos vermelhos de produzirem sangue. Por causa da doença, Fábio, que é servidor público, cresceu fazendo transfusões, rotina que nem sempre foi fácil para ele. “Quando eu nasci não se tinha o costume de fazer o teste de pezinho. Hoje em dia essa anemia já é detectada por esse teste e o tratamento inicia imediatamente com um remédio oferecido pelo Ministério da Saúde. Eu só passei a tomar o remédio há 10 anos, e desde pequeno faço a transfusão. Enfrentei momentos muito difíceis, quando não havia sangue disponível para eu receber”, conta.

Assim como Conceição, muitos sofrem de doenças hematológicas e precisam do sangue para sobreviver. Não apenas esses pacientes, mas pessoas que realizam algum procedimento cirúrgico ou são portadores de outros males também necessitam fazer transfusões. Todos eles dependem do estoque do Hemocentro do Pará, o Hemopa, que nas últimas semanas enfrenta dificuldades para manter a quantidade ideal de bolsas com sangue. Uma campanha está sendo desenvolvida para convocar os doadores já cadastrados e novos, que podem ajudar a manter o estoque.

“Não costumamos ter essa queda no estoque no mês de novembro, mas como tivemos muitos feriados acumulados, acreditamos que a população esteja mais fora da capital e, por isso, os doadores não têm comparecido ao Hemopa”, estima Lílian Buth, assistente social da gerência de captação de doadores do Hemopa. Ela diz que o hemocentro do Pará costuma receber, em média, cerca de 300 doações por dia, mas que nas últimas semanas esse número não chega a 200. Nível considerado preocupante para o estoque de sangue que abastece hospitais de todo o Estado.

Segundo ela, a campanha que o Hemopa está realizando é para garantir o equilíbrio das doações neste período e, principalmente, uma grande quantidade para o fim de ano, na época das festas, quando muitos doadores costumam viajar e a média de doações cai novamente. Por isso, o Hemopa está convocando por telefone e carta os voluntários, principalmente os de sangue mais raros, como os tipos O, A , B E AB negativos. “É preciso reforçar agora antes que haja o desabastecimento e pacientes fiquem esperando. Por isso, vamos funcionar inclusive no feriado do dia 15”, ressaltou Lílian.

Mitos e Doação

A assistente social afirma a importância de que pessoas que não são doadoras se interessem em colaborar com o hemocentro. De acordo com ela, a doação é um gesto de solidariedade e não causa nenhum problema de saúde ao doador. “A população costuma acreditar em alguns mitos, como, por exemplo, o que diz que doar sangue pode causar alguma contaminação, ou que pode engordar ou emagrecer, ou ainda que prejudica a produção de sangue do organismo. Nada disso é fato”, destaca Buth, que deixa claro que todo o material utilizado durante a coleta do sangue é descartável, evitando qualquer contaminação do doador.

Para os interessados em colaborar, ela explica que mulheres podem doar a cada 90 dias. As gestantes não podem doar até, pelo menos, um ano depois do período de amamentação. Os homens podem doar a cada 60 dias. Todas as pessoas devem estar em bom estado de saúde, e devem ter entre 16 e 67 anos. Os menores de idade devem ser acompanhados pelos pais ou responsáveis. O processo de doação dura, em média, 45 minutos, entre o processo de cadastro, triagem, pela qual o doador passa por entrevistas e exames, e a doação. Esta última é a mais rápida, dura entre 5 a 10 minutos.

A assistente social ressalta que durante o processo de triagem o doador é rigorosamente entrevistado por profissionais de saúde e passa por exames para avaliar o seu estado de saúde. “Caso esse doador esteja com algum problema de saúde ou algum indício de resistência baixa, como uma gripe, ou quantidade de plaquetas baixa, ele é orientado a voltar depois que estiver totalmente recuperado”, pontua.

Por causa da falta de informação da população e, principalmente, por ainda existirem os mitos que vão contra a doação, Fábio Henrique, que conhece a importância de ter doadores ativos no Hemopa, promove uma campanha por conta própria por meio da internet, nas mídias sociais, replicando informações sobre a doação de sangue e esclarecendo dúvidas. “É muito importante as pessoas conhecerem essa necessidade para que se sensibilizem e sejam doadoras. Eu faço a minha parte, colaborando com o Hemopa nessa divulgação a favor da vida”, comenta.

Quem já faz a sua parte a favor da vida sabe que não custa nada doar um pouco do seu sangue. Danielle Santos, de 31, é doadora há 2 anos. Começou a colaborar com o hemocentro por causa do avô, que fez uma cirurgia e precisou de sangue. Depois que viu o problema na família, ela decidiu que ajudaria outras pessoas. “É tão rápido e a gente ajuda tantas pessoas. Vale a pena a gente ser doador”.

Paralelo a essa campanha de emergência, o Hemopa promoverá entre os dias 21 e 26 de novembro a Semana do Doador, comemorando no dia 25 o Dia Nacional do Doador de Sangue. Uma série de atividades serão realizadas nesse período para homenagear essas pessoas e também para incentivar a doação de sangue. (Agência Pará)

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