“A greve continua”. Antes mesmo do início da votação que deveria decidir o fim ou a continuidade da greve dos servidores em educação no Pará, o grito de guerra entoado pela categoria já indicava um posicionamento claro. Durante a assembleia que reuniu centenas de professores no Centro Social de Nazaré, a categoria ainda sinalizou a possibilidade de realização de um ato público na próxima quarta-feira.
Nesse mesmo dia, os professores pretendem se reunir com o governo para tentar novamente um acordo. “Já protocolamos o pedido de audiência”, informou a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Conceição Holanda. Na quinta-feira, haverá uma nova assembleia para definir os rumos da categoria. Caso não aja acordo entre as partes, a probabilidade de a greve continuar é real. “O sentimento é de continuidade”, declarou Holanda. No caso de os profissionais voltarem aos postos de trabalho ainda este ano, sem resolução das demandas exigidas, já se cogita a possibilidade do ano letivo de 2012 iniciar em meio a uma nova greve. “Seria a quinta consecutiva”.
Integrante da assessoria jurídica do Sintepp, o advogado Paulo Henrique explicou todas as condições que envolvem o não retorno dos professores às salas de aula. “No nosso entendimento, se não elaborarmos um cronograma de reposição até o dia 18, deve haver desconto dos dias parados”.
APELAÇÃO
Segundo o advogado do sindicato, Walmir Brelaz, o Sintepp já entrou com um pedido de apelação da decisão do Juiz da 1ª Vara Cível de Belém, Elder Lisboa, que determina o retorno dos professores às salas de aula, em vigor desde a última segunda-feira. “Entramos com uma apelação da decisão no TJ (Tribunal de Justiça do Estado) que será julgado por outro juiz”, disse, ao informar que, além da possibilidade de desconto dos dias parados, a categoria ainda corre o risco de pagar uma multa diária de R$25 mil, caso continue em greve.
“Agora está determinado que a multa deve ser contra o sindicato e não contra a presidente. Mas o tribunal pode mudar essa decisão, estamos recorrendo para isso”.
Questionado sobre o retorno de alguns professores às atividades normais, o integrante do comitê do Sintepp, professor Antônio Neto afirmou que esse não é o posicionamento da maioria da categoria. “Apesar de alguns colegas terem voltado para a sala de aula, não existe aula porque as escolas não estão abertas”.
Com 30 anos de magistério, a professora Esmeralda Rezek mantém o discurso alinhado ao do sindicato. Para ela, por mais que tema pelos descontos dos dias parados, a greve tem que continuar. “A única maneira que temos de conseguir alguma coisa é parando”, acredita. “Só assim a comunidade poderá saber o que está se passando”.
Já o professor de física, Elder Socorro, após 45 dias de greve, já passa a avaliar de forma diferente a situação. “Nesse momento, acho que temos que rever a situação porque a greve pode acabar indo para um caminho diferente que vá prejudicar a gente”, opinou.
O diretor financeiro do Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintram), Reginaldo Cordeiro, esteve na assembleia. “Vamos começar a rodar com o farol aceso em solidariedade à luta dos companheiros”, disse. “Estamos dispostos a ir para a porta da ‘Viação Forte’ e atrasar a saída dos ônibus na terça-feira, em solidariedade”.
(Diário do Pará)
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