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Idoso agoniza sem médico

Quando levaram o aposentado Marcelino Nero dos Santos, de 63 anos, para o Hospital de Pronto Socorro do Guamá, há uma semana, os familiares acreditavam no serviço público de saúde. Os dias se passaram e a ausência de um cirurgião cardiovascular para exami

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Quando levaram o aposentado Marcelino Nero dos Santos, de 63 anos, para o Hospital de Pronto Socorro do Guamá, há uma semana, os familiares acreditavam no serviço público de saúde. Os dias se passaram e a ausência de um cirurgião cardiovascular para examiná-lo e encaminhar a cirurgia de amputação da perna dele transformou a confiança em dor e muito sofrimento. Pelo menos foi o que afirmou a nora do idoso, Eva Wilma Pereira, 32, na tarde de ontem, após visitar o aposentado. Na frente do hospital, ela denunciava para quem quisesse ouvir aquilo que chamou de “descaso”.

De acordo com Eva, o sogro sofre com a diabete. Por causa da doença está cego, e já passou por uma cirurgia de ponte de safena. “Ele apresentou um quadro grave de erisipela na mesma perna que já havia operado há alguns anos atrás. O problema aumentou e ele está sentindo muitas dores. Precisa passar logo por essa cirurgia. Ele corre risco de morte”, disparou revoltada.

A mulher disse que os médicos que estão cuidando do caso do sogro afirmam que a amputação precisa ser realizada com urgência. A família chegou a conseguir um leito para Marcelino no Hospital de Pronto Socorro da 14 de Março, mas a remoção não pode ser feita devido ao risco. Segundo ela, a equipe médica afirma que transferi-lo pode causar a morte dele, dada a gravidade do caso. “Ele está tendo infecção generalizada, já disseram até que os pulmões foram atingidos. Estou vendo a hora de chegar aqui e receber a notícia de que ele está morto”, disse Eva.

O inchaço e o odor desagradável que exala da perna preocupam a família. “Só precisamos que esse médico examine meu sogro e diga se ainda é possível recuperar a saúde dele, ou se devemos apenas esperar que o pior aconteça. É ele quem vai dar a sentença”, declara a mulher, fazendo alusão ao médico cirurgião cardiovascular.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que os três profissionais cardiovasculares que atendiam no HPSM do Guamá pediram demissão e garantiu que está providenciando a contratação emergencial de novos profissionais. No documento, a secretaria ressaltou o chamamento público que está fazendo em jornais da cidade para a contratação de médicos e admitiu que possui dificuldades em encontrar profissionais para ocupar os cargos. Mesmo sabendo da gravidade do caso, e da preocupação com a transferência, a Sesma finaliza o texto: “... O paciente Marcelino Neres está recebendo atendimento na Unidade de Tratamento Intensivo - UTI e aguarda leito de outros hospitais para ser transferido”.

(Diário do Pará)

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