Todo mundo sabe. Usar remédio por conta própria, sem prescrição médica, pode ser perigoso. Mesmo assim, muita gente ignora os riscos e acaba comprometendo a própria saúde. Os mais recentes dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, o Sinitox, revelam que a cada uma hora três casos de intoxicação por medicamentos são notificados no Brasil. No Pará, os fármacos são os maiores agentes químicos intoxicadores: estão em segundo lugar no ranking de envenenamentos, perdendo apenas para acidentes com animais.
Há pelo menos uma década, os remédios lideram a lista das causas de intoxicação humana no país. As classes que mais causam o problema são os benzodiazepínicos – presentes na maioria dos tranquilizantes, os antigripais e antitémicos, os antidepressivos e os antiinflamatórios. Medicações para tratar doenças do coração também aparecem na lista. Overdose, associação medicamentosa e reação adversa ao medicamento estão entre as principais circunstâncias de complicações clínicas.
A automedicação também explica o aumento dos casos. “Os pacientes chegam ao balcão da farmácia sem saber do perigo. Alguns medicamentos combinados com outros podem ter o efeito farmacológico alterado, o que pode causar o aumento da toxicidade, por isso a automedicação é tão perigosa” explica o farmacêutico Sérgio Torres.
ALERTA
Pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, precisam redobrar a atenção. É que, segundo o farmacêutico, as drogas usadas no tratamento dessas doenças são mais sensíveis à interação com outros remédios.
A aposentada Benedita Antônia Ferreira, 83, conta que, por dia, toma onze medicações diferentes, todas por orientação médica. Para administrar tantos remédios juntos, ela recorre a uma lista que carrega na bolsa. “Quando vou ao médico, logo mostro os remédios que já tomo pra não ter nenhum tipo de problema. Quando não levo anotado, levo as caixas. Uma vez o médico da cabeça [neurologista] passou um remédio e eu não me dei bem. Sentia a cabeça muito pesada e ficava tonta. Ele passou outro e ficou tudo bem”, relembra Dona Benedita.
De acordo com Sérgio Torres, informar ao médico sobre qualquer medicação que esteja fazendo uso, por mais inocente que ela possa parecer, é indispensável. Os idosos merecem atenção especial, já que são vítimas potenciais da múltipla prescrição. “Como o metabolismo do idoso está mais lento,, os fármacos demoram mais tempo na corrente sanguinea, favorecendo interação medicamentosa mais adversa. Cabe ao médico medir a dosagem ideal para cada paciente”, esclarece o profissional.
O coordenador clínico do Centro de Informações Toxicológicas de Belém, Pedro Pardal, alerta para outro problema intimamente ligado à intoxicação por medicamentos. “Muitos dos casos que chegam até a gente referem-se ao descuido dos pais com as crianças. Como muitos comprimidos são coloridos, as crianças tomam pensando tratar-se de balas. Os adultos precisam redobrar a atenção com os medicamentos, sobretudo os de uso controlado”, afirma o médico.
PARA SABER MAIS
O Centro de Informações Toxicológicas de Belém presta informações de urgência através do Disque-Intoxicação (0800-722-6001), criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A ligação é gratuita. (Diário do Pará)
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