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CPI do Tráfico Humano investiga denúncias

Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam audiências públicas nas cidades de Breves e Curralinho. No próximo dia 17 de novembro, a audiência será na Câmara Municipal de Breves, e no dia seguinte, 18, a reunião acontecerá na

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Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam audiências públicas nas cidades de Breves e Curralinho. No próximo dia 17 de novembro, a audiência será na Câmara Municipal de Breves, e no dia seguinte, 18, a reunião acontecerá na colônia de pescadores de Curralinho. Nas audiências públicas os deputados irão averiguar denúncias nestes municípios e em Portel. Serão ouvidas vítimas, testemunhas e acusados de envolvimento com o tráfico de mulheres, jovens e adolescentes para exploração sexual no Brasil e no exterior.

“A visita ao Marajó tem por objetivo dimensionar a proporção e o impacto da existência nestas cidades do tráfico sexual de mulheres, até porque são inúmeras as denúncias e depoimentos colhidos em Belém, Bragança e em outras cidades do Pará sobre a existência da rota de exportação de mulheres e adolescentes para as Guianas, principalmente para Caiena”, considerou o deputado Carlos Bordalo (PT), relator da CPI. Para ele esta rota pode estar alimentando ainda o mercado sexual em países localizados na Europa, principalmente França e Espanha.

Nas audiências, além do deputado Bordalo, a comitiva da CPI será composta pelos deputados: Celso Sabino (PR), Edmilson Rodrigues ((PSOL) e Edilson Moura (PT). Uma comissão de assessores da CPI desembarcou domingo (13.11) em Breves para preparar as reuniões e convocar as pessoas que irão depor nas oitivas.

Até o presente momento a CPI ouviu em depoimento 66 pessoas sendo 34 sigilosamente e 32 em audiências públicas: o Profº. Armando Zurita Leão – Coordenador do Instituto de Divulgação da Amazônia, estudioso sobre o tráfico internacional de profissionais do sexo; as mães de duas jovens que foram traficadas para a Espanha e Portugal respectivamente, Rosalina Pereira Gama e Maria de Nazaré Costa Tabosa; Carlos Alberto Mancha, diretor das categorias de base do Paysandu; e Roberto Macedo Júnior, agente credenciado pela Fifa no Pará.

Também foram ouvidos os empresários paulistas, Marcos Vinicius Cardoso e Daiane Flávia Silva, e o proprietário do Clube Vila Rica Marajó, Sérgio Araújo Nascimento, a travesti Biane, Edson dos Santos Carneiro, e ainda 9 depoimentos em Bragança.

No município, os primeiros a serem ouvidos foram da coordenação da equipe de vigilância comunitária e os demais de supostos envolvidos com a rede de exploração de mulheres para o trafico sexual.

Em Marabá, os parlamentares ouviram dirigentes do futebol local, pais e adolescentes enviados a São Paulo. Foram ouvidas 18 pessoas entre a adolescente, conselheiros tutelares, agentes prisionais, lideranças sindicais, policiais e presos, para esclarecer a circunstância que envolveu tráfico, violência e abuso sexual contra uma adolescente de 14 anos, dentro das dependências da Colônia Heleno Fragoso.

Para o deputado Celso Sabino, o trabalho dos deputados da CPI é difícil porque o tráfico de pessoas tem suas complexidades para ser detectado. “Não existem informações consolidadas, boa parte da sociedade não acredita que ele exista. As vítimas são enganadas com a promessa que vão melhorar de vida, entretanto só denunciam no destino, quando descobrem que foram enganadas, e não na origem do problema quando são aliciadas por falsas promessas”, avaliou o vice-presidente da CPI.

Lucro ilegal- No comércio ilegal, o tráfico humano movimenta atualmente mais de US$ 12 bilhões por ano, segundo dados da ONU. A atividade compete apenas com o tráfico de armas. É comprovadamente a segunda prática criminosa mais lucrativa do mundo.

Em 2008, cerca de 500 mil pessoas foram vítimas do tráfico humano na Europa. E desse total, 75 mil eram de brasileiros. Na maioria dos casos são jovens e mulheres, afrodescendentes com baixa escolaridade e desempregados, que são atraídos por promessas de bons empregos e uma vida melhor. Sem passaportes, lá são escravizados para atividades sexuais ou econômicas.

A região amazônica também se insere neste mercado mundial, e é uma das que mais fornece vítimas para essas redes criminosas. Estima-se que 500 mil crianças são vítimas de tráfico para fins de exploração sexual no mundo inteiro. No Brasil, ao menos 25 mil pessoas estão sendo mantidas em condições análogas ao trabalho escravo. É um dever de toda a sociedade enfrentar esta questão. (Ascom Alepa)

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