Na manhã desta quinta-feira (17), cerca de 70 professores de um total de 100 contratados temporariamente já devem estar nas salas de aula das escolas da rede estadual de ensino na área metropolitana de Belém. São profissionais que se ausentaram das atividades escolares por conta da greve e que, portanto, estão sendo substituídos, também por docentes temporários. Os distratos foram justificados pelo não cumprimento dos contratos trabalho. Os professores substitutos devem chegar a 200.
A medida do governo do Estado tem caráter emergencial e visa garantir a reposição de aulas e o cumprimento da decisão do juiz Elder Lisboa, da 1ª Vara de Fazenda da Capital, que determinou o retorno imediato ao trabalho dos professores, que estão em greve desde o dia 26 de setembro.
Sob regime temporário, os professores contratados atuarão nas salas de aula onde a ausência de docentes ainda persiste. Para isso, desde a noite de quarta-feira (16), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) toma providências para a contratação imediata dos profissionais, que estão sendo encaminhados às Unidades Seduc na Escola (USEs). A Seduc ainda aguarda o plano de reposição de aulas, conforme deliberado pela Justiça do Estado.
Segundo os números levantados pelas escolas jurisdicionadas às USEs e às Unidades Regional de Educação (UREs), do total de unidades da rede, 64,78% já estão com as atividades normalizadas. Um total de 17,6% estão com as aulas parcialmente paralisadas e um percentual semelhante está totalmente sem atividades escolares.
Em Belém, na área da USE 1, que abrange bairros como Val-de-Cães e Pratinha, das 19 escolas jurisdicionadas, quase a totalidade, 74%, está plenamente funcionando. Já a USE 4, que reúne áreas dos bairros da Cremação, Guamá, Jurunas, Batista Campos e Condor, 13 dos 18 estabelecimentos vinculados estão em funcionamento.
Fora da área metropolitana, a cidade de Marabá, no sudeste do Estado, registrou um expressivo movimento nesta quarta-feira: das 21 unidades de ensino que constituem a rede, apenas uma não retornou. Em Cametá, nordeste paraense, todas as sete escolas da cidade estão com as aulas restabelecidas. Da mesma maneira, os professores da rede estadual que atuam no município de Moju, na mesma região, voltaram às atividades.
Movimento – Na manhã de quarta-feira (16), estudantes e de muitos professores que atuam na rede estadual compareceram às aulas. No bairro do Jurunas, na escola Camilo Salgado, onde são oferecidos os ensinos fundamental e médio, foi registrada uma boa movimentação de estudantes. Quase a totalidade dos alunos teve atividades regulares. Ao todo, são 1.692 alunos. Na unidade, cerca de 60 docentes exercem atividades nos três turnos.
Pela manhã, dos 35 professores escalados, apenas três faltaram, segundo a direção da escola. “Boa parte deles já retornou, muito por decisão da Justiça”, diz a coordenadora pedagógica, Márcia da Conceição. Na unidade de ensino, estudam 40 crianças e adolescentes das ilhas próximas da capital.
A direção da escola Camilo Salgado disse que, no início do turno da manhã desta quarta-feira, um grupo de mães de alunos reclamou da possibilidade de reposição de aulas aos sábados. “Elas (mães) disseram que não vão aceitar as aulas nos sábados, pois justificaram que seus filhos têm curso de catecismo ou inglês, e que isso iria prejudicá-los”, contou a coordenadora.
No período da tarde, dos 18 professores previstos de retornarem, foi registrada a frequência de dez, segundo o vice-diretor da unidade de ensino. Ainda pela manhã, perto de 30 alunos de uma turma de 8ª série foi submetida ao exames da Prova Brasil. À tarde, outra turma foi submetida ao exame. Nos dois períodos, os técnicos do Ministério da Educação (MEC) aplicaram as provas com tranquilidade. (Seduc)
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