Um estrondoso sucesso. Foi assim que os deputados Celso Sabino (PR) e Zenaldo Coutinho (PSDB) avaliaram, ontem à noite, a Marcha dos Municípios, evento realizado no Maison Pomme D’or. Alguns dos participantes, líderes políticos do interior, se mostraram menos ufanistas, aparentemente frustrados pela presença de prefeitos em número menor do que esperavam encontrar.
Celso Sabino declarou, ao final do encontro, que compareceram ao ato cerca de 35 prefeitos. Ele considerou esse número bastante satisfatório, embora estivessem convidados os prefeitos dos 78 municípios que integram a área do Pará remanescente. Segundo o deputado, os prefeitos que não puderam comparecer mandaram representante. Quando não, o município foi representado por outras lideranças, incluindo o presidente da câmara de vereadores.
Ausente por força de compromissos anteriormente assumidos, o prefeito de Paragominas, Adnan Demachki (PSDB), tornou pública ontem, em mensagem dirigida ao DIÁRIO, sua posição contrária à divisão. Ele decidiu assim, conforme frisou, por entender que os bilhões que serão gastos com as novas estruturas de poder devem ser aplicados em saúde, educação, estradas e outros serviços.
COMPARAÇÃO
Demachki observou que a nossa situação não e idêntica à da divisão do Goiás com Tocantins. A mesma Constituição Federal, em seu artigo 234, que perdoou as dívidas de Goiás quando se deu a divisão, segundo ele, já proibiu futuros perdões em razão da criação de novos Estados. “Paragominas também fica distante da capital e esse sentimento de abandono do poder estadual, em especial nos quatro anos do PT, foi superado pela união do poder municipal com a sociedade civil organizada. Quem tem que resolver nossas demandas somos nós, localmente. Se vier apoio de fora, ótimo. Se não vier, nós temos que resolver, como resolvemos a questão ambiental, com pactos locais”.
A união de forças entre as lideranças políticas e as populações locais, nos municípios paraenses, foi, aliás, um dos temas recorrentes nos discursos. Celso Sabino, que preside a frente contra a criação do Tapajós, e o deputado federal Zenaldo Coutinho, da frente contra o Estado de Carajás, bateram pesado no discurso dos separatistas que tenta apontar supostas vantagens econômicas decorrentes da divisão territorial. Os argumentos que tentam mostrar tais vantagens, segundo eles, “são falaciosos e inconsistentes”.
Auditor fiscal da Secretaria da Fazenda, Sabino ressaltou que não há qualquer cálculo que justifique a presunção de aumento das receitas do FPE e dos repasses do ICMS para os três Estados, na hipótese de divisão, como sustentam os separatistas. “Nós estamos descontruindo muito rapidamente esse discurso falacioso e a própria população já compreendeu o engodo”, afirmou Sabino. (Diário do Pará)
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