Cinco dias. Esse foi o tempo que um jovem de 19 anos esperou para receber o atendimento de um cirurgião no Pronto Socorro Municipal da 14 de Março, o hospital Mário Pinotti, em Belém. O médico não foi enviado e Helder Moraes morreu por volta das 10h de hoje (18). O jovem foi vítima de um assalto no último domingo (13), no bairro do Telégrafo. "Ele reagiu e foi esfaqueado nas costas. A facada perfurou o pulmão", contou a tia, Dilma Moraes.
No mesmo dia, Helber foi levado ao PSM, onde recebeu atendimento. "O quadro dele era bastante grave. Então ele foi sedado, passou pela sala de choque e foi para a UTI. Ele precisava passar por uma cirurgia vascular mas no local não tinha esse especialista", explicou a tia.
Ainda de acordo com ela, alguns procedimentos essenciais não foram realizados. "Pediram sangue no Hemopa e não aplicaram. Ele também não foi cadastrado na central de leitos. Agora, se não tinha o médico lá nesse hospital, por que não pediram a transferência dele para outro local?", questionou a tia da vítima.
Dilma Moraes também faz uma denúncia. "Conversei com um médico lá dentro do hospital e ele me disse que os médicos dessa especialidade pediram demissão por falta de pagamento. Essa especilidade é muito cara, inclusive mais gente deve morrer porque tem mais pessoas precisando e não tem médico".
Para ajudar o sobrinho, ela foi até a Câmara de Vereadores. "Fui ontem pedir ajuda para os vereadores. Era uma sessão sobre prestação de contas do município e tinha vários representantes da saúde. Um deles falou que estava sobrando verba nessa área. Como sobram verbas se tem gente se demitindo por falta de salário?".
Dilma também informou que uma representante da Sesma, presente à sessão, prometeu providências. "Ela chegou a afirmar que verificaria a situação e mandaria o médico. Ontem mesmo, às 21h, ligaram para a mãe do meu sobrinho perguntando o número da carteirinha do SUS para cadastrá-lo na central de leito. Isso foi ontem e ele já estava no hospital desde domingo e nada disso foi feito".
O corpo do jovem foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para necropsia. O local do velório e sepultamento ainda não definido pela família.
RESPOSTA
Em nota, a Sesma informou que o paciente deu entrada no Hospital de Pronto Socorro no último domingo (13), às 17h43, vítima de um ferimento por arma branca no pescoço e outro no tórax, chegando a ter uma perfuração pulmonar. De acordo com a assessoria, ele foi avaliado por um médico cirurgião torácico, que realizou uma drenagem, e outro médico de cabeça e pescoço, em função da lesão ser muscular em seu pescoço.
"Segundo boletim médico, não houve necessidade da avaliação de um médico cirurgião vascular porque o paciente não apresentava nenhuma lesão vascular do pescoço", diz a nota. A Sesma informa ainda que há médicos cirurgiões vasculares no Hospitais de Urgência e Emergência de Belém e que eles não foram acionados para atender o paciente pelo motivo de que outros dois médicos já haviam realizado laudos clínicos e descartado a função do cirurgião vascular.
A assessoria também informou que ambos os médicos (tórax, e cabeça e pescoço) que o avaliaram não aconselharam a cirurgia, devido ao estado grave do paciente. Helber Alves estava internado no CTI em estado gravíssimo. Desde o primeiro dia de sua internação o paciente estava em estado quadro grave e não apresentou evolução em seu tratamento.
A nota também diz que o médico de cabeça e pescoço ainda solicitou na manhã desta sexta-feira (18) uma reavaliação tomográfica, mas o paciente não resistiu e faleceu. A Secretaria ressalta ainda que publicou nesta quinta-feira (17) a contratação de mais 12 médicos cirurgiões vasculares para os PSM da 14 de Março e do Guamá.
(Sâmia Maffra, DOL)
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