Vítima de um assalto, o paciente Helder Moraes foi esfaqueado nas costas e deu entrada no Pronto Socorro da 14 de março no final da tarde do último domingo. Desde então, recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhado à UTI. Porém, ficou no aguardo de um cirurgião vascular para ser operado. Na manhã de ontem, morreu sem que isso acontecesse.
“Na quinta-feira nós fomos até a Câmara dos Vereadores pedir ajuda e a Sesma (Secretaria Municipal de Saúde) garantiu que naquele dia mesmo, já estaria tudo resolvido. O pessoal da Sesma ligou para a mãe dele ainda na quinta, 21h, para pedir o número do cartão do SUS dele para cadastrá-lo na central de leitos. O Helder ainda nem estava cadastrado”, contou Dilma Moraes, tia da vítima.
Dilma ainda falou que o sobrinho perdeu muito sangue, e que o Hemopa ficou de mandar as bolsas de sangue para o Pronto Socorro, só que ele não chegou a receber nenhuma transfusão. “As pessoas estão morrendo, isso é o descaso total do poder público”, disse Dilma, ainda muito indignada.
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o vereador Marquinho do PT confirma que recebeu a tia de Helder. “Eu passei o problema para a Sesma e nada foi resolvido. Eu recebi informações aqui dentro do Pronto Socorro de que os cirurgiões vasculares tinham se demitido. Já soube também que os contratos dos clínicos gerais encerram na segunda-feira e que eles estão ameaçando não renovar o contrato porque estão com salários atrasados há três meses”.
No último dia 14, o caso de outro paciente à espera de médico foi denunciado. Internado no Pronto Socorro do Guamá, o aposentado Marcelino Nero dos Santos, 63, diabético, precisava ter a perna amputada, mas a falta do cirurgião vascular para fazer a avaliação impedia a operação. A nora do idoso, Eva Wilma Pereira, 32, classificou a situação de descaso com a saúde.
Na ocasião, a Sesma confirmou que os três cirurgiões vasculares que atendiam no hospital pediram demissão e disse ester providenciando a contratação emergencial de novos profissionais. Admitiu, no entanto, que há dificuldades em encontrar profissionais para ocupar os cargos.
Sobre o caso de Helder Moraes, a Sesma enviou outra nota ao DIÁRIO em que se contradiz, ao afirmar que “há médicos cirurgiões vasculares no Hospitais de Urgência e Emergência de Belém e que eles não foram acionados para atender o paciente pelo motivo de que outros dois médicos já haviam realizado laudos clínicos e descartado a função do cirurgião vascular.”
A nota informa que ele deu entrada no PSM da 14 de Março no último domingo, vítima de um ferimento por arma branca no pescoço e outro no tórax, chegando a ter uma perfuração pulmonar, e foi avaliado por um médico cirurgião torácico, que realizou uma drenagem, e outro médico de cabeça e pescoço, em função da lesão ser muscular em seu pescoço. Segundo a Sesma, não houve necessidade da avaliação de um médico cirurgião vascular porque o paciente não apresentava nenhuma lesão vascular do pescoço. Ambos os médicos que o avaliaram não aconselharam a cirurgia, devido ao estado grave do paciente, diz a nota.
A Sesma informa que o médico de cabeça e pescoço ainda solicitou na manhã de ontem uma reavaliação tomográfica, mas o paciente não resistiu e faleceu às 8h30.
Por ter sido vítima de morte violenta (arma branca), o corpo de Helder Alves foi encaminhado para o Instituto Médico Legal – IML para necropsia.
A Sesma Secretaria ressalta ainda que publicou nesta quinta-feira (17), a contratação de mais 12 médicos cirurgiões vasculares para os PSM da 14 de Março e do Guamá. (Diário do Pará)
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