A ausência dos representantes das frentes que defendem a criação dos Estados de Carajás e Tapajós na série de entrevistas que a TV Cultura faria sobre o plebiscito trouxe à tona o enorme mal estar que se instalou na base aliada do governo após a publicação de um artigo em que o governador Simão Jatene defende a unidade do Pará e faz críticas à campanha pela divisão.
A série de entrevistas começaria ontem, no horário destinado ao programa “Sem Censura”, um dos mais tradicionais da emissora. O entrevistado seria o deputado Joaquim de Lira Maia (DEM), que preside a frente Pró-Tapajós. Por volta de 23 horas da noite anterior, contudo, os presidentes das duas frentes enviaram nota ao gerente de jornalismo da rádio Cultura, Hamilton Pinheiro, anunciando a decisão de boicotar as entrevistas.
“As frentes pró-Carajás e pró-Tapajós, após analisar o perfil da programação da rádio e TV Cultura tomaram a decisão de não participar das programações agendadas para esta semana”, diz um trecho da nota. O documento é assinado por Lira Maia e pelo deputado João Salame que preside a Frente Pró-Carajás.
O principal motivo da decisão foi o artigo de Jatene publicado no DIÁRIO no último domingo. Nele o governador desce do muro e se declara contrário à criação dos novos Estados. “A decisão foi política, motivada por insatisfações com as recentes manifestações do governo em relação à questão. E a TV Cultura é um órgão do governo”, explicou o deputado João Salame. “O governador e os que trabalham com ele têm todo direito de se manifestar, mas não foi isso o anunciado antes”.
Salame informou que a posição do governador e de pessoas do alto escalão ainda será analisada “com mais profundidade”. Enquanto isso, disse, as duas frentes optaram por não participarem das entrevistas. Para o deputado Lira Maia, os órgãos da administração pública “não estariam tendo a posição de neutralidade esperada”. Leia mais no Diário do Pará.
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