A Polícia Federal realiza na manhã de hoje (24) duas operações para combater fraudes bancárias na internet: a operação "Online", no Pará, e a operação "Dedicado", no Rio Grande do Sul. Estão sendo cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, oito mandados de condução coercitiva em Marabá, no interior do Pará. Outros nove mandados de prisão preventiva, 16 de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Tramandaí.
Com a operação "Online", a PF vinha investigando uma quadrilha especializada em fraudar contas de empresas privadas e pagar boletos com valores em torno de R$ 15 mil, além de “lavar dinheiro” com empresas de venda de cimento em Marabá. Foram identificados programadores, usuários dos vírus e programas maliciosos, “plaqueiros” ou “cartãozeiros” (responsáveis por arregimentar contas bancárias para onde o dinheiro obtido com a fraude é enviado), bem como envolvimento criminoso de um policial militar com os ilícitos.
O valor total estimado das fraudes cometidas apenas no período de investigação estimado é de mais de R$ 3 milhões no Pará e R$ 5 milhões no Rio Grande do Sul, podendo atingir valores bastante superiores a partir da análise do material apreendido. Os investigados responderão pelos crimes de furto qualificado, estelionato, formação de quadrilha e interceptação telemática criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 25 anos de reclusão.
INVASÃO DE CONTAS
A investigação foi realizada pelo Grupo de Combate a Fraudes Eletrônicas Bancárias da Superintendência Regional da PF no Pará, criado há pouco mais de um ano. Na última sexta-feira (18), 33 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Belém, Marabá, Goiânia (GO) e Curitiba (PR).
A Operação Dedicado desarticulou uma quadrilha que atuava há mais de 10 anos com programadores de alto nível. Eles alugavam servidores de mais de 1 terabyte para outros criminosos e cobravam pelo serviço. As fraudes consistiam em invasão de contas da Caixa Econômica Federal e outros bancos para subtrair valores, por meio de transferências a “laranjas”, pagamento de boletos bancários e tributos (especialmente IPVA) e compras de mercadorias (como materiais de construção).
Empresas de fachada à serviço do grupo eram usadas para emitir boletos sem a devida contrapartida em relação à prestação de serviços ou venda de produtos para que fossem quitados usando valores desviados das contas invadidas. Também era intensa a atuação da quadrilha na aquisição de mercadorias e serviços usando cartões de crédito fraudados. Além disso, o grupo invadia contas de clientes de empresas aéreas para emitir passagens a terceiros usando os pontos do programa de milhagem das vítimas.
As investigações foram conduzidas pelo Grupo de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas (GFEL), da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), e foram iniciadas em abril de 2010.
No total, participaram das operações 238 policiais federais da Superintendência do Pará, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e das delegacias de Marabá, Redenção e Imperatriz (MA), com apoio das Superintendências do Goiás e do Paraná.
TENTÁCULOS
Utilizando cruzamentos de informações provenientes do Projeto Tentáculos, identificou-se a quadrilha, liderada por um gaúcho, e seu braço-direito, um paraense. O nome da operação vem do fato de a quadrilha usar servidores dedicados de rede, localizados no exterior, como forma de tentar ocultar suas ações e dificultar as investigações.
As investigações fazem parte do Projeto Tentáculos da PF, uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério Público Federal, com a utilização de um software desenvolvido para investigar fraudes realizadas contra o banco. Outra parceria com a Febraban já foi firmada e, em breve, a PF estará recebendo informações sobre crimes praticados contra as demais instituições do sistema bancário nacional. As informações são da Polícia Federal. (DOL)
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