A cada ano aumenta o número de casos de câncer e a expectativa é que estes índices continuem crescendo. Segundo estimativas divulgadas ontem pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em todo o Brasil, 520 mil pessoas devem desenvolver a doença no próximo ano, dentre elas 9.670 só no Pará.
O alerta preocupa especialistas, principalmente pela disponibilidade reduzida de estrutura e profissionais qualificados. “Por muito tempo tivemos um único hospital de referência (Hospital Ophir Loyola), que atende demandas de outros estados e responde por 40% dos atendimentos de todos os casos de câncer no Pará”, afirmou o oncologista Antônio Pinho, atuante no HOL.
Na região, muitos dos casos ainda refletem a falta de consciência da sociedade em realizar os exames periódicos que podem evitar essa situação. Um exemplo é a alta incidência de câncer de colo do útero, acima da média nacional. “Muitas mulheres não têm informação sobre o exame, que é rápido, barato e indolor”, frisa. Por isso, a maioria dos casos que dá entrada no hospital já está em estado avançado e têm menos chances de cura. “50% dos pacientes precisam de radio ou quimioterapia e até 70% recebem apenas cuidados paliativos, tão grave é sua situação”, expõe o médico.
ESPERANÇA
Situação diferente vem passando o aposentado Hermenegildo dos Santos, de 74 anos. Com determinação e muita esperança ele trata um câncer de esôfago descoberto em janeiro deste ano. Logo que começou a sentir dificuldades em engolir ele procurou um médico e após alguns exames foi comunicado que tinha a doença. Com o diagnóstico precoce e o inicio imediato da luta, ele tem vencido gradativamente a batalha.
“Fiz dez sessões de quimioterapia, 30 de radioterapia e agora tomarei um remédio por 30 dias. Se Deus quiser estarei curado em pouco tempo. Tenho certeza que vai dar tudo certo”. Ao lado dele, o filho também tinha o mesmo pensamento. “Ter câncer não significa ter medo. Temos hoje muitos recursos, muita ajuda de médicos e funcionários do hospital. Só não pode desistir”, aconselha Hermenegildo Junior.
Há algumas décadas pouco se ouvia falar de câncer, mas hoje quase todos conhecem alguém que já teve ou tem a doença. Isso ocorre em razão da mudança de estilo de vida da população. Além da alimentação mais industrializada e oriunda de animais que tomam hormônios, do sedentarismo e da poluição ambiental, o fato das pessoas viverem mais aumenta naturalmente a incidência desses casos. “Quanto mais velhas as células maiores as chances delas se tornarem malignas e acarretarem doenças crônico degenerativas, como o câncer”, explicou Pinho.
HÁBITOS
Por isso, investir em hábitos mais saudáveis continua sendo a melhor prevenção. É a já conhecida lista da boa alimentação, exercícios físicos, abandono do cigarro, baixo consumo de álcool e visitas periódicas a médicos.
A fim de mobilizar a sociedade na prevenção e diagnóstico precoce da doença, o Hospital Ophir Loyola começa hoje as atividades em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Câncer, comemorado no próximo domingo. O objetivo também é dar visibilidade a ações que já são realizadas ao longo do ano, mobilizando diversos profissionais em orientações. Na programação constam apresentações de filmes, panfletagens, verificação de pressão arterial, avaliações e repasse de informações. O evento ocorre também nos dias 28, 29 e 30, sempre de 8h às 16h, nas dependências do HOL.
ORIENTAÇÕES PARA EVITAR O CÂNCER (Fonte: Inca)
- Pare de fumar! Esta é a regra mais importante para prevenir o câncer.
- Uma alimentação saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. Coma mais frutas, legumes, verduras, cereais e menos alimentos gordurosos, salgados e enlatados.
- Evite ou limite a ingestão de bebidas alcoólicas. Os homens não devem tomar mais do que dois drinques por dia. As mulheres devem se limitar a um drinque.
- É aconselhável que homens, entre 50 e 70 anos, na oportunidade de uma consulta médica, orientem-se sobre a necessidade de investigação do câncer da próstata.
- Pratique atividades físicas moderadamente durante pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana.
- As mulheres com 40 anos ou mais devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Além disto, toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos.
- As mulheres com idade entre 25 e 64 anos devem realizar o preventivo ginecológico periodicamente.
- É recomendável que mulheres e homens com 50 anos ou mais realizem exame de sangue oculto nas fezes, a cada ano (preferencialmente), ou a cada dois anos.
- Evite exposição prolongada ao sol.
- Realize diariamente a higiene oral (escovação) e consulte o dentista regularmente.
(Diário do Pará)
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