De olho nos cerca de R$ 4,9 bilhões de dinheiro extra que deverão entrar mensalmente na economia a partir de fevereiro, redes de comércio varejista já montam estratégias de marketing para vender mais na virada do ano. É nesse mês que as aposentadorias e alguns salários começam a ser pagos com base no novo valor do salário mínimo, que passará de R$ 545 para R$ 622,73.
A estratégia dos lojistas é criar promoções com pagamentos parcelados no cartão em valores próximos ao do aumento do salário mínimo, de R$ 77, de forma a fisgar o consumidor de baixa renda. Também prevê ofertas do tipo compre agora mas só comece a pagar em fevereiro ou depois do Carnaval.
“O que vai aparecer de prestação de R$ 69,90 não está no gibi”, diz o economista Emílio Alfieri. Mas os lojistas têm motivos para serem cautelosos, observa o economista. “A inadimplência está subindo em relação a 2010, embora ainda esteja abaixo de 2009, no auge da crise financeira global”, argumenta Alfieri.
De maneira geral, o impacto do reajuste do salário mínimo é mais sentido na área de supermercados e no varejo popular de produtos como roupas e calçados, os chamados bens de salário. Mas o aumento do salário combinado com a facilitação do crédito poderá empurrar também a venda de bens duráveis.
“Os lojistas têm dito que a combinação de aumento do salário mínimo com flexibilização da política monetária poderá fazer com que as liquidações pós-Natal na área de bens duráveis sejam mais prolongadas”, conta Alfieri. Nessas promoções, a indústria, que tirou um pouco o pé do acelerador da produção, também contribuiria. (AE)
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