Foi quando doenças antes pouco identificadas passaram a se tornar comuns em grupos específicos da sociedade, que cientistas americanos perceberam que algo diferente estava acontecendo. O marco histórico da descoberta do vírus HIV aconteceu apenas em junho de 1981, porém, até que os cientistas chegassem a essa conclusão, muitas pessoas já haviam morrido em decorrência da Aids.
Segundo o médico infectologista Lourival Marsola, referência no tratamento da doença no Pará, antes de descobrir o que causava o rebaixamento da imunidade, comum às pessoas que estavam adoecendo repentinamente, os cientistas chegaram a desconfiar de outra doença, a hepatite B, porém, mesmo antes da investigação que culminou na correta definição da Aids, cientistas já haviam começado a pesquisar o novo vírus. “A história surge em 1981, mas tem comprovações de que o vírus já havia sido isolado em falecidos em 1951”.
Para o médico, o que aconteceu há 30 anos foi a primeira epidemia da doença causada pelo vírus que já estava no organismo de muitas pessoas. “Nos anos 80, esse aglomerado de pessoas passou um tempo sem apresentar os sintomas e, quando começaram a surgir doenças que não eram comuns como o Sarcoma de Kaposi (tipo de câncer que acomete as camadas mais internas dos vasos sanguíneos) e a Pneumonia Cistose (caracterizada por cistos no pulmão), se desconfiou”.
Um ano após sua descoberta no mundo, o Brasil registra o primeiro caso de Aids, em 1982, em São Paulo. Porém, foi apenas em 1996 que o país passou a disponibilizar um tratamento eficaz através de medicamentos para todas as pessoas. Um ano após esse marco no controle da Aids - período em que começa a contabilização dos dados no boletim epidemiológico disponibilizado pelo Ministério da Saúde (MS) - os casos de infectados já chegavam a 3.219 entre pessoas de 13 a 24 anos. Atualmente, na perspectiva do próprio MS, a doença vive um período de equilíbrio e provável estabilização. “Se levarmos em consideração a epidemia nesses 30 anos, ela se encontra, hoje, relativamente estável, mas com características particulares”, informa o coordenador da área de direitos humanos, riscos e vulnerabilidade do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito. Leia mais no Diário do Pará.
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