Do 2º andar do casarão centenário onde funciona o restaurante em que trabalha Solange Tavares, ela observa ainda incrédula as mudanças pelas quais vem passando a Rua Santo Antônio, no bairro da Campina. “Nem acredito que a rua tá assim: limpa. Era tanta barraca de camelô que não dava nem para andar. Hoje até carro passa”, observa, apontando o caminho de paralelepípedos em direção ao Mercado do Ver-o-Peso.
O trecho da Santo Antônio entre a avenida Presidente Vargas e a rua 1º de Março fará parte de um programa da Prefeitura de Belém visando ao restauro do centro histórico da cidade. O processo teve início já no mês de agosto, com o remanejamento de 160 ambulantes do local. Entretanto, se arrasta nos últimos meses à espera da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre ambulantes, lojistas e Prefeitura para executar as obras de restauro. Adiada duas vezes ao longo deste mês, a assinatura do acordo que irá estabelecer os prazos e normas do restauro está marcada para hoje, às 15h, no Ministério Público.
Se finalmente for assinado o TAC, a reforma das fachadas tem 60 dias para estar completa, podendo este prazo ser estendido por mais um mês, se requisitado pelo engenheiro. As exigências incluem a retirada de placas e toldos das fachadas, padronização de pinturas e restabelecimento do desenho original das colunas externas. “É obvio que dois meses não são o suficiente. Achar que restaurar é ‘pintar a fachada’ é reducionista, uma maquiagem sem nenhuma consistência”, afirma Rose Norat, arquiteta e urbanista, especialista em restauração do patrimônio arquitetônico. (Diário do Pará)
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