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Redução de impostos ainda não empolga o mercado

O pacote de incentivos anunciado na última quinta-feira pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, com o objetivo de aquecer a economia brasileira no primeiro trimestre de 2012, ainda é avaliado com cautela por comerciantes e consumidores em Belém, que veem

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O pacote de incentivos anunciado na última quinta-feira pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, com o objetivo de aquecer a economia brasileira no primeiro trimestre de 2012, ainda é avaliado com cautela por comerciantes e consumidores em Belém, que veem com ressalvas as propagadas vantagens com a redução de impostos.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), Joy Colares, o pacote de incentivo não vai ter um reflexo imediato. “As lojas ainda possuem um estoque de produtos comprados com alíquotas antigas. O que pode acontecer é das lojas emitirem notas fiscais com dedução e refaturadas sem ou com um IPI menor. É provável que o consumidor perceba alguma modificação na quarta-feira da semana que vem. Já nos sites de venda, onde não é comum a venda de produtos de linha branca, isso pode ter um reflexo maior e imediato”, enfatiza.

Para Edson Roffé Borges, vice-presidente da Federação Nacional dos Economistas, as medidas são boas, mas pouco significativas. Ele alerta que o consumidor deve pesquisar preços e taxas de juros. “São muitas as variáveis para a avaliação dessas medidas: 37% da população paraense estão com dívidas ou em atrasos, segundo o Serasa. O quadro é mais desfavorável quando o consumidor atrasa no pagamento de cartões de crédito, sendo assim pagam juros altos”, acentua. Outro ponto fundamental, segundo Roffé, é que o mercado do Pará, como um todo, “é um oligopólio, onde existem poucas lojas que vendem produtos de linha branca, ou seja, não existe disputa de mercado, então o consumidor paraense acaba sendo engolido por juros e não pode aproveitar esses descontos”, explica.

Para Marcelo Moraes, gerente de vendas de uma concessionária em Belém, o pacote de incentivos vai proporcionar um aumento de vendas de carros nacionais. “Como medida de proteção, as indústrias que utilizam 65% de peças nacionais em sua linha de produção serão mais favorecidas. Por ser uma medida que não é pontual, o efeito na produção automobilística vai afetar toda a cadeia, desde a montagem até a venda de um produto final mais barato. E isso favorece o consumidor, que, com um maior poder de compra, deve apostar nos financiamentos com uma redução de 0,5% nas tarifas”, diz.

O aposentado Orlando Farias, 60, avaliou as medidas do governo federal como positivas. “Hoje em dia gastamos muito em impostos. Se essa diminuição for significativa e não lançarem outro tipo de imposto para termos que pagar, substituindo essa diminuição, é positivo”, acrescenta.

Sandra Alves, 55 anos, autônoma, acha que será uma ótima oportunidade, se os valores realmente ficarem menores. “Se for realidade teremos a chance de comprar mais uma televisão, trocar a geladeira e até mesmo o sonho da casa própria. Mas no fundo ainda acredito que esta é mais uma camuflagem do governo. Não acredito que os preços vão mudar expressivamente”, diz.

Menos impostos e R$ 5 bi em crédito
A Caixa Econômica Federal vai liberar R$ 5 bilhões de crédito para aquisição de eletrodomésticos, móveis, eletroeletrônicos e outros bens de consumo. A medida segue as ações de incentivo ao crédito, investimentos e consumo, divulgadas pelo Ministério da Fazenda.

As linhas de crédito incluem o financiamento de eletrodomésticos, como fogões, geladeiras e lavadoras de roupa, em até 24 meses.

Entre as ações anunciadas pelo ministro Guido Mantega, está a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os chamados produtos de linha branca, como fogão e geladeira. Também o aumento do teto de financiamentos de casas do "Minha Casa, Minha Vida" com pagamento de tributo menor.

Na avaliação da equipe econômica do governo, o fôlego extra ao consumo produzido pelo pacote não traz riscos à inflação. Com validade de curto prazo e calibradas de forma a não comprometer a tarefa do Banco Central, as medidasnão teriam força suficiente para trazer um crescimento inflacionário ao País. Além disso, no curto prazo, destacam fontes, as medidas podem trazer alívio ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com o repasse imediato ao consumidor. Com informações das agências Folhapress e Estado. (Diário do Pará)

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