O Pará fechou o mês de setembro com 7.365.119 de linhas de celulares, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Isso quer dizer que, para cada grupo de 100 habitantes, existem 95,92 linhas de telefone celular.
Ao lado do Ceará, Alagoas, Bahia, Piauí e Maranhão, o Pará faz parte da minoria que ainda não possui teledensidade superior a 100. Mas não vai ser por muito tempo, como indica o levantamento. O Estado está entre os que apresentam maior crescimento no mercado de telefonia móvel, com uma evolução de 18,58% este ano.
Prova dessa expansão é que em certas regiões do Estado, como a que compreende o DDD 91, cuja principal cidade é Belém, já existe mais de um celular por habitante, na proporção de 103,38 para cada 100 pessoas.
Esse crescimento está relacionado à concorrência agressiva no setor, analisa Eduardo Tude, presidente da consultoria em telecomunicações Teleco. “O pré-pago é ainda o motor da expansão da telefonia móvel no país. E o seu atrativo são as promoções cada vez mais agressivas em busca da fidelidade do cliente”.
No Brasil, o número de linhas pré ainda é bem superior às pós-pagas, segundo dados da Anatel. A cada dez celulares no país, oito deles têm planos pré-pagos. Nas regiões Norte e Nordeste, o número sobe para nove em cada dez celulares. Os pré-pagos dominam o mercado paraense, também representando 91,75% do total de linhas.
Aparelhos à venda até nos camelôs
Outro fator que ajudou o aumento do setor foi o barateamento da tecnologia e a maior variedade de serviços, como o acesso à internet móvel. Uma pesquisa elaborada pela Teleco demonstra que 51% do acesso à internet móvel é feita por planos de dados pré-pagos. Para o levantamento feito a pedido da empresa de telecomunicação chinesa Huawei, foram entrevistadas mil pessoas, entre 14 e 65 anos, em Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. “Existem pacotes que oferecem a preços módicos acesso à internet, modem, telefone fixo. O próprio aparelho ficou mais barato. Faz tempo que o celular deixou de ser artigo de luxo, mas ele nunca foi tão popular como estamos observando hoje”, diz o especialista.
Em Belém, por exemplo, o celular virou o preferido dos ambulantes. Em um popular ponto de comércio informal da cidade, ao lado de um shopping localizado na BR-316, a maioria das barracas rendeu-se à venda de celulares e acessórios. Um dos aparelhos mais baratos encontrados pela nossa equipe, da marca Nokia, com rádio, tevê, câmera fotográfica e entrada para dois chips, saía por R$ 100.
“Vende tanto quanto os DVD pirata. Celular é o que mais dá dinheiro hoje”, conta o camelô Daniel Sodré Gomes. Ele afirma vender uma média de cinco celulares por mês. A popularidade desse setor também pode ser observada na venda de chips pré-pagos nas ruas. O vendedor Wallace Dias diz comercializar de 15 a 20 chips diariamente. Ele oferece chips e cartões de recarga das quatro operadoras, o mais em conta sai por R$ 5. “Não existe um padrão de cliente. Pobre, classe média, todo mundo ‘tá’ atrás do pré-pago, das promoções”, avalia.
Várias operadoras para estar no ar 24h
A secretária Keila Vanessa de Freitas Alves faz parte da clientela dos pré-pagos. Ela possui duas linhas pré-pagas, de duas operadoras diferentes. “Uma eu uso para falar com a família, a outracom os amigos”, justifica.
As ligações para os pais são gratuitas, já que fazem parte de um plano que ainda inclui internet e telefone fixo. “Eu gasto em recarga mais com a outra linha, por causa das mensagens e acesso à internet. Quase não falo ao telefone”, explica. Ela avalia que gasta com telefone R$ 50 mensalmente. “Para mim, que uso direto, é muito econômico”, define.
Por motivos profissionais, a psicóloga Simone Frazão do Couto possui linhas de quatro operadoras. “Eu trabalho pelo interior do Estado e os quatro chips são uma estratégia: quando uma operadora não tem cobertura, outra tem”, revela.
Ela conta que a sua profissão demanda uma aproximação do paciente, o que exige que ela esteja disponível a todo momento. “Dificilmente desligo o celular. Estou on-line toda hora. Tem vezes que pacientes ligam de madrugada e eu faço atendimento. Mas eu relevo, não fico chateada, já não dá para viver sem o celular, mesmo”, resume.
(Diário do Pará)
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