Faltando apenas uma semana para o plebiscito que vai mensurar a vontade do povo paraense sobre a criação dos estados Carajás e Tapajós, os opositores a essa proposta foram às ruas em mais uma carreata que reuniu aproximadamente cem veículos, na manhã de domingo (4). De acordo com a organização, a maior carreata realizada até agora.
Por onde passavam, entregavam materiais de divulgação e recebiam apoio de grande parte da população. Puxados por um trio elétrico que emitia repetidamente o jingle do “Não”, carros, motos e até bicicletas percorreram vias de vários bairros.
Esta é a terceira carreata promovida pela Frente Contra Criação do Estado do Carajás, presidida pelo deputado federal Zenaldo Colutinho (PSDB) e apoiada pela Frente Contra Tapajós. “Na reta final, queremos reforçar com o povo de Belém que o desenvolvimento só é possível por meio da união entre todas as regiões do Estado”, destacou .
Em áreas periféricas do bairro do Guamá, por exemplo, crianças, jovens e idosos se empolgaram com o ritmo do jingle e gritavam “não e não!”.
A carreata partiu da Duque de Caxias e passou pela Antônio Barreto e Alcindo Cacela, rumo à avenida Bernardo Sayão, até chegar à Avenida Presidente Vargas, na Praça da República.
SINDIFISCO
Quem esteve discursando de cima do trio foi o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal, Iranilson Brasil. Segundo ele, o discurso utilizado pelos separatistas de que a divisão vai trazer mais recursos oriundos do Fundo de Participação dos Estados é falácia. “A fórmula atual já deliberou a cota de cada Estado até 2012. Para mudar isso, é necessário que outros estados abram mão de seus percentuais, ou seja, quase impossível”.
Iranilson lembrou, ainda, que tramitam cinco projetos de lei na Câmara Federal para mudar a projeção de distribuição destes recursos, diminuindo o percentual das regiões Norte e Nordeste. “Eles (separatistas) também sabem disso, por que não falam para a população sobre isso, já que são todos políticos?”, diz Brasil.
O sindicato divulgou um manifesto contra a divisão, em que acusa os defensores do ‘Sim’ a, ‘sem nenhum escrúpulo’, quererem ‘grilar politicamente as terras do próprio Estado que lhes recebeu generosamente’, referindo-se ao que seria uma pequena parcela de imigrantes, que teriam vindo para a região “com visão deturpada, buscando enriquecer a qualquer custo”.
Nesta semana, o presidente da Frente contra Carajás adiantou que várias mobilizações em diferentes municípios serão realizadas. “Vamos intensificar nossas ações para garantir ao povo paraense as devidas explicações sobre este absurdo que é a proposta de divisão”, destacou Zenaldo.
Simpatizantes das duas correntes foram às ruas
O clima quente entre os simpatizantes Pró e Contra a criação dos estados de Carajás e Tapajós dominou a Rua dos Tamoios, onde fica localizado o prédio da TV Record, que realizou o debate entre as frentes, na tarde do último sábado. Houve distribuição de adesivos e bandeiras e quem passou pelo local teve que enfrentar engarrafamento.
Marcado para iniciar às 13h, o segundo debate entre as frentes levou vários simpatizantes para o entorno da emissora. “É importante estarmos aqui para demonstrar a nossa opinião. Sempre que puder, vou acompanhar a agenda da Frente Pró Tapajós”, falou o estudante Igor Sampaio.
Os representantes que passavam pelo local cumprimentaram algumas pessoas, mas não falaram com a imprensa. “Acho que mais uma vez o ‘Não’ vai dar um show, assim como foi no debate da RBA. O ‘Sim’ tem poucos argumentos e não responde corretamente às dúvidas”, diz a estudante Lúcia Assunção.
Apesar do clima de disputa, não houve confronto entre os simpatizantes das frentes. (Diário do Pará)
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