O 40º Festival de Iemanjá começou como acontece todos os anos, desde 2005, na Aldeia Amazônica, onde pais e mães de santo e seguidores de cerca de 40 terreiros de Belém se reuniram, no início da noite, para um minirritual inicial, antes da partida para a Praia Grande de Outeiro. O bispo dom Emanuel Almeida, da Igreja Católica Carismática, rezou uma missa, seguida toque dos tambores e cantos. Logo depois, a imagem de Iemanjá foi colocada em um caminhão aberto para seguir em carreata até Outeiro.
Lá, cerca de outros 40 terreiros já se encontravam concentrados esperando a chegada da romaria rodoviária. Pelo caminho, muitas homenagens à Rainha do Mar, principalmente na chegada a Outeiro.
Uma multidão já aguardava a imagem de Iemanjá, que é cultuada como Nossa Senhora da Conceição, dentro do sincretismo religioso baseado na umbanda e no candomblé. “A nossa religião está incluída na cristandade e no espiritismo”, explica o tenente coronel Itacy Domingues, presidente da Associação dos Amigos de Iemanjá.
O jornalista Amaury Silveira, da RBATV e do DIÁRIO, que há 30 anos apresenta o festival, diz que espera que ele volte a atrair um público maior, com as melhorias na rodovia de acesso a Outeiro. Na década de 1990, lembra, o festival chegava a atrair até 100 mil pessoas. Hoje, nos finais de semana, o festival atrai cerca de 70 mil pessoas e cerca de 30 mil nos dias de semana.
O pai de santo Elber Santos, do terreiro Ilê Axé Nagô Iboalama e Oxum, de Ananindeua, diz que o rito inicial na Aldeia Cabana “foi uma grande conquista de espaço para mostrar a nossa religião à sociedade”.
Na chegada em Outeiro, a Praia Grande já estava tomada pelo público e pelos umbandistas e candomblecistas. Em toda a praia, mães e pais de santo competiam para ver que fazia a homenagem mais bonita para Iemanjá, enfeitando espaços na praia com velas, bolos, comidas e bebidas. Mãe Maria José Ferreira Silva saiu do terreiro Jesus Nazaré, da Transcoqueiro. Para ela, o festival “é o momento de agradecer a Iemanjá os benefícios alcançados”.
O 40º Festival de Iemanjá foi aberto pela mãe de santo Elicélia Furtado Barra, com o apoio do pai de santo Farenar Souza, por volta das 23h. A festa tem como ponto alto as oferendas a Iemanjá levadas ao rio por meio de pequenos barcos, a queima de fogos e o canto para os caboclos, já por volta das 2h da madrugada, quando muita gente incorpora entidades na praia.
O primeiro Festival de Iemanjá foi realizado na Praia do Cruzeiro, no distrito de Icoaraci, em 1971, com a participação de 16 terreiros. Posteriormente, a festa foi transferida para a Praia Grande. Entre seus pioneiros, estão os pais de santo Rui, Antônio Carlos, João Guapindaia, Manoel da Joia, e as mães de santo Marina, Celina e Zenaide, além dos radialistas Ivo Silva e Paulo Ronaldo. (Diário do Pará)
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