O plebiscito para decidir sobre a divisão do Pará está mexendo com eleitores de norte a sul do Estado. Independente de cor partidária, profissão ou credo, um exército de voluntários está nas ruas e nas redes sociais para tirar dúvidas, defender as propostas do sim ou do não e ajudar na arrecadação de recursos para a propaganda. São pessoas sem experiência na militância política, mas que abraçaram a causa da divisão ou manutenção da integridade do Estado porque acreditam.
É o caso da estudante Camila Malcher, 26 anos. Ela diz que ficou sabendo do plebiscito pela Internet e começou a ficar preocupada com o futuro do Estado. Camila - que nunca tinha atuado em movimentos sociais - começou a participar de debates nas redes sociais defendendo a não divisão. Aos poucos foi se envolvendo hoje é uma das voluntárias mais ativas do grupo “Resistência 55” , criado pelo advogado Eduardo Cunha.
O grupo tem visitado os bairros de Belém para falar da consulta popular, faz adesivagens e ajuda na mobilização para eventos como carreatas. “Estou exercendo meu papel de lutar por uma causa em que acredito que a é defesa do Pará”, diz afirmando que a mobilização atual a fez tomar mais conhecimento da realidade do Estado. “Depois queremos manter o grupo para debater as questões que dizem respeito ao nosso desenvolvimento”.
O criador do grupo conta que começou a mobilização antes mesmo das frentes oficiais tomarem corpo. “A gente estava temendo que nada fosse feito e ai, começamos a nos mobilizar”, diz. Cunha explica que a ideia do grupo não é promover debates entre sim e não, mas defender a proposta de não divisão. Por isso, nas redes sociais, quem pensa diferente é excluído.
Já acostumado à militância política, o autônomo Francisco Barbosa, 40 anos, faz parte do mesmo grupo. Ele tem tido a tarefa de visitar casas no Jurunas, bairro onde mora para levar a proposta antisseparatista. “Muita gente nem sabia que tinha que votar”, conta afirmando que como não há recursos para a campanha, a propaganda tem que ser boca a boca. “Não levamos nenhum material. É só com o diálogo, mas receptividade é muito boa porque as pessoas veem que não estamos defendendo um candidato, mas uma ideia em defesa do Pará”.
Os voluntários não se limitam à defesa do não. Nas regiões do oeste e sul/sudeste é grande também o número de pessoas que não estão diretamente ligadas às frentes na campanha, mas lá a maioria trabalha em defesa das teses separatistas.
O plebiscito é um dos instrumentos mais democráticos previstos na constituição brasileira e a organização da sociedade civil está mostrando que a participação popular pode ser de grande ajuda. (Diário do Pará)
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