Até anteontem, ainda era considerada tímida a campanha a favor do “sim” pela divisão do Estado em algumas cidades das regiões sul e sudeste do Pará. Em Marabá, considerada um município polo da campanha separatista, no entanto, desde ontem começou a haver uma presença de eleitores vindos de outros Estados e de outros municípios para não perder a chance de participar de momento tão decisivo.
“Vim especialmente para votar. Nasci em Marabá, mas hoje estudo no Tocantins. Meu sonho é ver o Estado de Carajás e a região mais desenvolvida”, disse a estudante Camile Soares, 21 anos.
A confiança de Camile traduz a da maioria dos eleitores da região ouvidos pelo DIÁRIO na tarde de ontem. Em Redenção, o pescador Isidoro Santos, 54, comemorava poder participar do momento “histórico”. “Eu tava com pendência na Justiça Eleitoral e quase não consigo regularizar a tempo mas, agora, eu estarei lá, nas urnas”, diz, com o título nas mãos.
Um grupo de amigos, reunidos em Tucuruí fazia planos para o pós-plebiscito e pós-vitória do “sim, segundo eles. “Viemos de Belém votar, e vamos voltar quase carajaenses”, disse Igor Lago, 22 anos. Os eleitores menos otimistas, no entanto, apesar de estarem um pouco desacreditados na vitória do “sim”, garantiam que votariam no plebiscito. “Eu sinto que dessa vez ainda não vai, mas eu vou contribuir com o meu sim, com certeza. De repente...”, disse a professora de Marabá, Ilde Sampaio.
TAPAJÓS
Santarenos de vários segmentos profissionais apostam na aprovação do projeto de criação do Estado do Tapajós. Após a realização de dois debates na semana passada, sendo um na TV RBA, a população de Santarém aprova a frente Pró-Tapajós e repudia atitudes de políticos contrários à divisão.
Para a santarena Ana Celeste, é lamentável verificar os membros da frente contra o Estado do Tapajós insistir em “gritar” que a luta pela a criação de novos Estados é de forasteiros. Ela ressalta que a luta não é recente e que os políticos do contra não conhecem a verdadeira história da região do Tapajós.
O membro da frente pró-Tapajós, Francisco Lopes, o “Chicão” garante que a expectativa para a vitória no plebiscito é positiva e que várias cidades do Oeste do Pará receberam a comitiva de campanha nesta semana, entre elas, Almeirim e Porto de Moz, Faro, Terra Santa e Aveiro. “A população tem respondido positivamente à campanha”.
Em Belém, foi feita distribuição de folhetos chamando o eleitor a votar a favor do Tapajós, demonstrando que a campanha pelo Tapajós foi prejudicada pelos argumentos contrários. “No Tapajós não tem forasteiros e todos somos paraenses”, disse uma das responsáveis pela veiculação dos panfletos, que não quis ser identificada.
BELÉM
Na capital do Estado, onde predomina a rejeição à proposta de divisão do Pará, o clima entre alguns eleitores é de ansiedade. Mas este sentimento não reflete medo, e sim uma expectativa pela confirmação de um resultado já comemorado por alguns. “Em toda eleição pode ocorrer surpresas, mas nesta sabemos que um grande número de pessoas já tem seu posicionamento. Quero logo que chegue esse dia, vou votar e depois relaxar”, destacou o trabalhador braçal Rodrigo da Trindade, 28 anos.
Enquanto uns se antecipam, outros lamentam não poder opinar. A jovem Brena Meireles, 18 anos, acabou se confundindo com as datas. “Como fiz 18 anos no final de novembro, achei que não seria obrigatório. Só depois, com as notícias, é que percebi que tinha perdido o prazo. Espero que meu voto não faça a diferença para que o posicionamento que escolhi vença nas urnas. Entendo que um voto não muda muita coisa, mas vai que dá zebra”, comentou.
Às vésperas do pleito que pode modificar o mapa territorial do país, há quem acredite que participar não é importante. O comerciante Antônio Silveira, 34 anos, não se empolgou em nenhum momento com a campanha. Para ele, independente do resultado, o Pará já está dividido.
“É o nosso futuro que estará lacrado naquelas urnas até o momento do início da apuração. Estou muito nervosa”, enfatizou a estudante Aldielly Oliveira, 23 anos. A jovem vai votar naquilo que considera melhor para toda população e sempre que pôde tentou levar informações para amigos e colegas sobre o pleito de amanhã.
A dona de casa Rosely Costa, 50 anos, também levou o debate para fora da propaganda eleitoral. Ela pretende estampar no peito o seu posicionamento durante a votação. Para isso, ela foi até o Ver-o-Peso e comprou uma camisa do Pará. “Vou usar uma camisa para mostrar para todos que tenho minha opinião formada e não mudarei”.
(Diário do Pará)
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