Neste domingo, cerca de 190 mil eleitores santarenos são esperados para dizer se querem ou não a divisão do Pará para a criação dos estados do Tapajós e de Carajás. Desde que foi anunciado o plebiscito, a mobilização em Santarém e nas demais cidades que poderão compor o Tapajós só tem crescido.
Nas duas últimas semanas que antecederam o dia da votação, a campanha pelo ‘sim’ ganhou força na cidade que pode ser a capital do Tapajós. Nos principais pontos do centro de Santarém, foram colocadas bandeiras e distribuídos panfletos.
MESÁRIOS
Os quase 1.200 voluntários que vão trabalhar no plebiscito em Santarém foram treinados pela Justiça Eleitoral. Nos dias 01 e 02 de dezembro, os mesários da 83ª Zona Eleitoral receberam as orientações necessárias para garantir a tranquilidade no decorrer da votação. Ao todo, 900 urnas eletrônicas serão utilizadas em 788 seções eleitorais, distribuídas nos municípios de Santarém e Belterra, além de Mojuí dos Campos.
Chefe de cartório, Wilder Nascimento enfatizou que o serviço não é renumerado, mas traz uma série de benefícios para quem atuar. “De acordo com o artigo 98 da Lei das Eleições, ele tem o dobro de folga dos dias trabalhados. Isso vale tanto para os funcionários de instituições públicas quando para os de instituições privadas”, informa.
Fogos e som nas ruas tentam animar campanha
Indiferente aos números apresentados pela última pesquisa do instituto Datafolha, que mostram a ampliação da vantagem dos que são contrários à divisão do Pará, alguns veículos a favor da criação do estado do Tapajós percorriam ontem as ruas de Santarém, no oeste paraense, incentivando os eleitores a dizerem “sim” neste domingo.
A cidade, aliás, amanheceu sob uma queima de fogos e logo apareceram os primeiros carros tocando os jingles da campanha separatista. Um locutor gritava que a população do Tapajós não pode se deixar levar por pesquisas e que deve ir às urnas “em massa”, votar a favor da divisão.
“O povo de Belém e da região do Salgado não devia ir na corda do pessoal do “não”, porque se eles vivessem como nós vivemos, com falta de serviços públicos, eles dariam razões a nós e também votariam pela criação do Tapajós”, declarou o pequeno comerciante José Sebastião Rodrigues, 43 anos. Ele assinalou que o espírito separatista não surgiu do dia para noite, mas é um sentimento que vem de longas datas. “Meu pai, que morreu com 95 anos, sempre dizia para nós que o Pará era muito grande e que tinha governo pequeno, que não chegava aos lugares mais longínquos, onde vive aquele que mais precisa de saúde, educação e transporte”, emendou Rodrigues.
“FIGA”
Com um cartão do “não” na porta de seu estabelecimento, o santareno acrescentava que tinha receio que o “sim” fosse perder. No fundo, porém, admitia estar fazendo “figa” para que a capital “acordasse” no domingo e desse uma chance para o Tapajós caminhar com suas próprias pernas. “Não é fácil ficar pedindo as coisas para o governo. Os governadores do Pará só aparecem na nossa região uma vez na vida e outra na morte”, criticou. Rodrigues não poupa também a classe política da região oeste, que para ele, “também não faz nada pelo povo”, E qual a solução, se der o “sim”, no domingo, pergunta o repórter. A resposta: “não vai mudar muita coisa de imediato, mas ficará melhor do que está”.
O dono de barco João Etelvino dos Santos, de 68 anos, estava entre os que realizaram na sexta-feira um protesto no rio Tapajós favorável ao estado do Tapajós. Segundo Santos, ele apoiava a manifestação porque entende que o povo “cansou de sofrer”, Há desconfiança com alguns políticos que se dizem líderes da região oeste, mas isso não invalida o desejo de separação do Pará.
O exemplo que Santos utiliza para a emancipação do Tapajós provoca risos entre os pescadores que ouviam suas declarações ao Diário. Para o barqueiro, quando marido e mulher começam a enjoar um da cara do outro está na hora de separar”.
O pescador Raimundo Farias não se conteve e lançou uma dúvida, afirmando que separar é bom quando se arruma coisa melhor, Ruim, resumia ele, é trocar seis por meia duzia e depois voltar correndo para o amor antigo.
Intensificação
Na semana que antecedeu o plebiscito, o movimento que luta pela criação do Tapajós intensificou a mobilização com a finalidade de orientar os eleitores. Na última terça, moradores do bairro Mararu receberam a visita de integrantes do movimento. A iniciativa partiu da associação de moradores do bairro porque muitos eleitores ainda tinham dúvidas quanto aos procedimentos no dia da votação.
Evandro Cunha, integrante da associação, disse à reportagem do DIÁRIO que “algumas pessoas não haviam entendido” que será necessário votar duas vezes neste plebiscito. “Realizamosa reunião para que essas pessoas pudessem tirar todas as suas dúvidas. O que a gente quer é que ninguém erre”.
Assim como em Santarém, moradores do município de Juruti também intensificaram o movimento em prol da criação do Tapajós nesta última semana. Na quarta-feira, uma caminhada percorreu as principais ruas do centro da cidade a fim de chamar a atenção do eleitor para a importância de participar do plebiscito. Durante a caminhada, que durou cerca de duas horas, foram distribuídos panfletos com orientações básica para votar neste domingo. (Com informações da Sucursal de Santarém)
Santarém também terá presença da Força Nacional
Até o fechamento desta edição não havia sido informada a quantidade de policiais que irão atuar para garantir a segurança em Santarém neste domingo. O número de policiais civis e militares será reforçado. Santarém, inclusive, é um dos 16 municípios que vão contar também com a ajuda de integrantes da Força Nacional. A medida foi tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em Santarém, a PM vai dispor de uma grande estrutura, composta por homens da Cavalaria, Grupamento Tático, Batalhão de Trânsito e viaturas, com o propósito de evitar imprevistos que possam prejudicar a segurança antes, durante e após a votação. Manter a ordem neste plebiscito, coibindo a violência e também as práticas de crimes eleitorais será tarefa dos homens da segurança.
A atuação de homens da PM começou na última sexta-feira, quando iniciou o deslocamento das urnas eletrônicas para as seções eleitorais do município.
“Cerca de oito equipes da Polícia Federal estarão atuando em Santarém. Tudo pra garantir a segurança e a tranquilidade para que o santareno possa votar com muito respeito, com muita educação, com muita seriedade e honestidade”, garantiu Uilses Tavares, policial federal.
Tavares informou ainda que quem for pego praticando irregularidades eleitorais será detido e punido conforme as leis eleitorais.
JUSTIFICATIVA
Em Santarém, nesses últimos dias, a Justiça Eleitoral ressaltou a importância do comparecimento às urnas, bem como da apresentação da justificativa para quem se encontra fora de seu domicílio eleitoral.
(Diário do Pará)
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