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Jatene prega novo pacto federativo

O governador Simão Jatene admite que o resultado do plebiscito deixará sequelas e mágoas no lado perdedor da disputa. Mas ele afirma que somente a união de todos os setores, todos os grupos políticos, poderá mudar o cenário do Pará na busca pelo desenvolv

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O governador Simão Jatene admite que o resultado do plebiscito deixará sequelas e mágoas no lado perdedor da disputa. Mas ele afirma que somente a união de todos os setores, todos os grupos políticos, poderá mudar o cenário do Pará na busca pelo desenvolvimento do Estado, com a consequente melhoria da qualidade de vida do povo em todas as regiões.

O governador chegou para votar por volta das 11 horas, acompanhando da esposa, Ana Jatene, e da enteada, no Núcleo de Esporte e Lazer, bairro do Umarizal. Eles ficaram na fila por uns 20 minutos e depois ele concedeu entrevista coletiva.

Jatene disse que somente um novo pacto federativo fará justiça aos Estados exportadores, já que as riquezas naturais beneficiam grandes grupos empresariais, mas não deixam benefícios para o povo paraense, se referindo à Lei Kandir, criada em 1996 para desonerar as exportações, que beneficia a balança comercial brasileira, mas deixa um grande prejuízo aos Estados que exportam matéria-prima, já que são impedido de cobrar impostos.

“O pacto federativo precisa ser revisto. É um interesse natural das pessoas quererem ter mais saúde, segurança, educação. Sem dúvida alguma, isso pressupõe rediscussão de responsabilidade, de direitos, há projetos de redivisão de Minas Gerais, São Paulo e outros, porque efetivamente o Estado brasileiro não consegue chegar onde o povo precisa”, admitiu o governador.

Simão Jatene também admitiu que apesar da divisão fazer parte da aspiração da minoria do povo que reside no Pará, isso não deve ser desconsiderado porque, segundo o governador, não é um movimento apenas de líderes políticos. O governador acentua que não é ingênuo achar que não há ingerência política na campanha da divisão, mas que também respeita e acredita que a população destas regiões também tem esta aspiração, justamente porque o Estado não os alcança como deveria.

No entanto, Simão Jatene garante que o grande desafio, a partir do resultado das urnas, será conter as sequelas, reunir todos os lados da disputa para lutar pelo desenvolvimento do Estado do Pará, a partir de um novo pacto federativo. O governador definiu o sistema fiscal brasileiro como sendo extremamente perverso para o Pará, por causa da desoneração das exportações. “É preciso que os recursos naturais deste Estado contribuam para melhorar a qualidade de vida da nossa gente”, ressaltou Simão Jatene.

Para o governador paraense, independente do resultado do plebiscito, o direito da maioria tem que ser respeitado, mas não se pode desconsiderar também o direito, que é legítimo, da minoria acreditar que dividindo seria melhor. Simão Jatene acredita que o plebiscito será positivo para que o povo paraense tenha uma ideia mais clara da questão territorial do Estado e do tamanho do desafio da administração estadual para superar as mazelas sociais históricas.

GOVERNABILIDADE

Se realmente as declarações públicas do governador contra a divisão criaram cisões na base aliada do governo na Assembleia Legislativa, o resultado vai aparecer a partir de amanhã, quando as sessões retornam. Porém, o governador disse que tem grande dificuldade em admitir que membros de sua base aliada no Legislativo estadual possam trabalhar a partir do resultado do plebiscito contra o Estado. “É preciso distinguir os interesses do governo e do Estado”, enfatiza Jatene. Para ele, o plebiscito não pode terminar com uma visão de vencedores e vencidos, mas de que é preciso união para trabalhar pelo desenvolvimento do Pará.

A base aliada do governo Jatene na AL é composta por grande parte dos partidários do Carajás e Tapajós, incluindo o líder da bancada do PSDB, José Megale, o vice-líder do Governo, João Salame, entre outros. “Eu estou preparado para discutir as reses do Estado e não acredito que pessoas de bem tenham dificuldades em compreender o que são interesses do Estado e do governo. Eu não estou disputando eleição”, avisa o governador. (Diário do Pará)


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